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Conselho de Transição do Haiti encerra mandato após pressão dos EUA

CPT encerra mandato e transfere poder ao gabinete do primeiro-ministro, após EUA advertirem intervenção e envio de navios de guerra à Baía de Porto Príncipe

Brasília (DF), 07/02/2026 – presidente do Comitê Presidencial de Trasição, Laurent Saint-Cyr, (E) e do primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé (D) Foto: Laurent Saint-Cyr/Alix Didier Fils-Aimé/X
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O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos neste sábado, 7, após pressões norte-americanas para manter o governo estável com o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. Em Porto Príncipe, o CPT afirmou que não haveria vazio de poder, deixando a condução do Executivo sob o premiê.

O presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, disse que a transição não deixará o país sem governo e destacou a prioridade de segurança, diálogo político, eleições e estabilidade. Ele afirmou ter feito escolhas justas para o país ao anunciar o encerramento da participação do CPT.

O CPT assumiu o poder em abril de 2024, após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, que liderava o país desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021. O objetivo era preparar eleições gerais e retomar áreas dominadas por gangues na capital.

Ameaças dos EUA

Antes de encerrar o mandato, o CPT sinalizou a possibilidade de destituição de Fils-Aimé, nomeado pelo CPT para conduzir o Executivo até as eleições previstas entre outubro e novembro. A ideia gerou uma resposta agressiva do governo americano.

A embaixada dos EUA em Porto Príncipe confirmou a chegada de navios de guerra ao Haiti para apoiar a permanência do primeiro-ministro, citando a Operação Lança do Sul. O objetivo seria proteger a estabilidade regional e o caminho para eleições.

Segundo a agência brasileira, houve avaliação de que qualquer mudança na composição do governo seria interpretada como ameaça à estabilidade. Especialistas ouvidos destacam que houve tentativa de golpe para substituir o premiê antes do fim do mandato.

Golpe, avaliação de especialistas e eleições

Ricardo Seitenfus, professor aposentado da UFSM e um dos principais especialistas em Haiti do Brasil, afirmou à Agência Brasil que houve uma tentativa final de afastar Fils-Aimé para permitir a escolha de um novo líder. Ele esteve no Haiti dez dias durante o lançamento de seu livro.

O analista informou que a segurança do país melhorou com o retorno do Estado sobre territórios ocupados por gangues, ainda que o desafio seja grande. Segundo ele, a prioridade é realizar eleições o mais rápido possível para dar andamento à governança.

O Haiti tem desde 2021 a descontinuidade eleitoral, com o governo reforçando parcerias internacionais para assegurar condições mínimas de segurança que permitam eleições. O país também contou com apoio de uma missão policial liderada pelo Quênia.

Forças de segurança e contexto

A ONU autorizou, no ano passado, a criação de uma Força Multinacional de Repressão a Gangues, ampliando a atuação anterior. O Haiti também recorre a apoio de grupos estrangeiros para conter as gangues.

A situação segue sob observação internacional, com mantém-se o foco na retomada de áreas controladas por gangues e na organização de eleições gerais. A cobertura é da Agência Brasil, com colaboração de Thaís de Luna.

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