O líder de uma das principais forças armadas étnicas de Myanmar afirmou que a comunidade internacional vem ignorando os ataques aéreos do regime militar contra civis, adotando apenas a China como intervenção no conflito. A declaração ocorreu em Loi Tai Leng, base montanhosa próxima à fronteira com a Tailândia, durante a primeira coletiva com a imprensa em anos.
Yawd Serk, presidente do Conselho de Restauração do Estado de Shan (RCSS), disse que os bombardeios aumentaram e citou dados do Myanmar Peace Monitor, que apontam mais de 1.000 locais civis atingidos em 15 meses. Ele ressaltou a falta de um aliado confiável para a população.
O líder, que comanda uma força que controla território estratégico entre China e Tailândia, participou de uma parada após as comemorações do Dia Shan, perto de sua base. Ele enfatizou a necessidade de diálogo político entre as facções armadas e o governo militar.
Intervenção chinesa
O RCSS relatou que a China atua como fator de equilíbrio regional, pressionando algumas facções a interromper ofensivas para estabilizar o regime. Pequim afirmou que seu papel é promover o diálogo e a reconciliação, destacando interesses ligados a projetos de infraestrutura da Belt and Road.
Segundo a RCSS, o cenário tornou-se de “paisagem fraturada” com deslocamento de alianças, especialmente após o golpe de 2021. Além disso, o grupo rivalizou com forças que perderam território para avançar sobre a fronteira chinesa.
Yawd Serk afirmou que, apesar das pressões regionais, a busca é por solução política e por uma força militar federal que subordine o conflito. Ele acrescentou que o governo futuro será avaliado por suas ações, não por promessas.
Contexto político recente
O dia anterior contou com uma parada de cerca de 1.000 soldados ligados ao regime, em um desfile que ocorreu próximo à sede fronteiriça do RCSS. O evento reforçou o controle militar sobre áreas estratégicas do estado de Shan.
O governo de Min Aung Hlaing divulgou que continuará buscando o combate a “terroristas” e pediu que grupos étnicos abandonem a luta armada e entrem em negociações de paz. A reação de organizações étnicas permanece ambivalente, com apelos por unidade e diálogo.
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