Noruega vê abrir-se uma crise ligada aos arquivos de Jeffrey Epstein, que expõem ligações de integrantes da elite política e diplomática ao financista. Documentos dos Estados Unidos indicam contatos entre figuras norueguesas e Epstein, apesar de ele ter sido condenado por crimes de abuso sexual infantil.
Entre os nomes citados estão a princesa herdeira Mette-Marit, que trocou mensagens com Epstein e chegou a viajar à Palm Beach, segundo os arquivos. Ela pediu desculpas pela amizade, ressaltando o profundo pesar pelo ocorrido.
A investigação mira diplomatas e ex-líderes, incluindo Mona Juul e Terje Rød-Larsen, reconhecidos por papéis na mediação de paz em Oslo. Juul afastou-se do cargo após denúncias de corrupção, enquanto o marido é alvo de apuração por suposta participação em atividades ilegais.
Børge Brende, ex-chanceler e atual presidente do Fórum Econômico Mundial, também está sob escrutínio após relatos de que teria minimizado o conhecimento sobre Epstein. Evidências indicam e-mails trocados em 2018 e 2019 sobre encontros em Nova York.
Outro foco é Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro e atual diretor da Oak Council of Europe, com suspeitas de benefícios recebidos de Epstein. Jagland nega irregularidades e afirma confiar no desfecho da apuração.
As investigações, conduzidas pela Økokrim, questionam se há uso de influência para facilitar vistos a modelos russas que teriam atuado como estagiárias em institutos financiados pelo político. A força-tarefa também analisa possíveis doações de Epstein a instituições norueguesas.
A repercussão envolve debates sobre a imagem internacional da Noruega, baseada em diplomacia, igualdade e confiança pública. A mídia acompanha como o escândalo pode impactar a tradição de atuação humanitária no país.
Especialistas lembram que o episódio não implica culpa automática, mas levanta dúvidas sobre a relação entre poder, riqueza e responsabilidade ética entre elites. A apuração continua com depoimentos e busca por novas evidências.
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