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Conflito entre Trump e UE sobre o futuro de Gaza chega às manchetes

Conflito EUA-UE sobre Gaza ganha contornos abertos; Bruxelas acusa a Board of Peace de Trump de escapar do mandato da ONU

Trump’s Board of Peace is due to meet in Washington next week.
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A disputa entre a União Europeia e os EUA sobre o futuro de Gaza ganhou partida pública durante a Munich Security Conference. A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que o “Board of Peace” de Donald Trump funciona como veículo pessoal do presidente, tirando qualquer prestação de contas aos palestinos ou à ONU. Albares também criticou a iniciativa, dizendo que o conselho pode contornar o mandato original da ONU e que a Europa, antiga financiadora da Autoridade Palestina, ficou de fora do processo.

Kallas sustentou que a resolução do Conselho de Segurança da ONU previa um Board for Gaza com prazo até 2027, participação palestina e referências a Gaza. Ela afirmou que o estatuto atual do Board não contempla esses elementos, o que, segundo ela, descaracteriza o objetivo inicial. A fala ocorreu em um evento durante a conferência.

Entre os responsáveis da política externa, o senador democrata Chris Murphy manifestou temores de que o Board permita descontrole sobre bilhões de dólares de reconstrução, favorecendo aliados de Trump. O tema marca o embate mais direto entre os envolvidos na gestão do cessar-fogo e no apoio humanitário em Gaza, com a próxima reunião do Board prevista para Washington na próxima semana.

Nickolay Mladenov, enviado de Trump para Gaza, ressaltou, em aparte, a necessidade de avançar rapidamente com as ações de assistência humanitária, desmonte de armas entre facções e a reforma do território. Ele declarou que não aceitará acusações de genocídio e destacou a importância de manter Gaza unificada para qualquer solução de dois estados.

Mike Waltz, embaixador dos EUA junto às Nações Unidas, rebateu as críticas ao Board e afirmou que é necessário redefinir o papel da ONU. Ele informou que Indonésia concordou em enviar 8 mil militares à Força Internacional de Estabilização, com anúncios adicionais de tropas esperados nas próximas semanas. Segundo ele, parte dos países reluta em canalizar bilhões de reconstrução pela ONU.

Um participante palestino, Mustafa Barghouti, criticou o andamento das discussões, apontando que o território da Cisjordânia continua aberto a assentamentos e que a situação ameaça o acordo de Oslo. Barghouti disse que a discussão não foca apenas na responsabilidade por eventuais violações, mas na própria viabilidade de uma solução de dois estados.

Detalhes e próximos passos

A reunião do Board de Paz está marcada para ocorrer em Washington na próxima semana, com a participação de diversas partes interessadas. O cerne do debate é se o consórcio manterá controles, mecanismos de fiscalização e participação palestina, ou se seguirá um formato com menos supervisão internacional e maior influência externa.

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