Cuba cancelou neste sábado 14 o icônico festival de charutos por causa da crise energética provocada pela pressão dos Estados Unidos. A próxima edição, prevista para 24 a 27 de fevereiro, foi adiada; ainda não há nova data.
O festival costuma gerar milhões de dólares com leilões, recursos que vão para o sistema de saúde cubano. No ano passado, o evento arrecadou cerca de 19,5 milhões de dólares.
Venda internacional de charutos cubanos é a exportação mais emblemática do país e sustenta parte da economia, com a Europa como principal mercado.
A crise se aprofundou após os EUA cortarem o envio de petróleo, vindo em grande parte da Venezuela, depois da captura de Nicolás Maduro em janeiro.
O presidente Donald Trump assinou ordem executiva com tarifas contra países que vendam barris para Cuba; o México, segundo fornecedor, suspendeu remessas previstas para o mês passado.
Apagões frequentes atingem o sistema elétrico, já fragilizado, e comprometem atividades econômicas.
Companhias aéreas internacionais reduziram voos para Cuba por falta de combustível; alguns governos orientaram seus cidadãos a reconsiderarem viagens.
Governo de Havana acusa os EUA de reforçar o bloqueio econômico após décadas de guerra econômica, visando pressionar Cuba a aderir ao embargo.
Estima-se que Cuba precise hoje de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia. A produção local alcança 40 mil, deixando 70 mil dependentes de importação.
A falta de divisas agrava o cenário, dificultando o alcance da demanda de combustível.
Um estudo do economista cubano Miguel Alejandro Hayes aponta risco de queda de 30% na disponibilidade de combustível, o que pode reduzir o PIB em 27% e elevar preços de alimentos em 60% e de transporte em 75%.
Contexto econômico e impactos
A redução de fornecimento de combustível gera apagões prolongados e afeta atividades turísticas, transporte e serviços públicos. O setor de luxo, como o festival, reage com adiamentos e replanejamentos.
Autoridades ressaltam a dependência de importação de petróleo e a dificuldade de manter operações em meio a restrições financeiras e comerciais.
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