David Petraeus, ex-diretor da CIA e veterano das operações militares americanas, concedeu entrevista a EL PAÍS em Washington. O general avalia o cenário global, destacando a relação entre EUA e China como fator crucial para o futuro mundial e apontando a pressão sobre Moscou via sanções como meio de negociação.
O ex-chefe do Mando Central dos EUA analisa a situação na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro. Ele afirma que o governo tutelado por Washington, liderado por Delcy Rodríguez, pode sinalizar um caminho de transição, com negociações que envolvam eleições justas ou um novo acordo de poder.
Petraeus afirma que a conjuntura internacional está mais complexa do que há décadas. Ele diz que é possível manter várias linhas de atuação simultâneas, desde que as alianças sejam bem tratadas e as prioridades, como a China, recebam atenção constante.
Segundo o general, Irã vive fragilidade maior, com protestos e impactos econômicos, além de recesso do apoio regional de grupos radicais. Na América, ele cita a operação que resultou na captura de Maduro como sinal de atuação dos EUA no Hemisfério.
Sobre a saída de Maduro, Petraeus aponta que houve oferta de exílio na Turquia, mas o regime recusou. Ele afirma que missões anteriores no Haiti e em Panamá mostram que intervenções têm desdobramentos imprevisíveis.
O ex-diretor da CIA diz que a pergunta central é o que se busca com a intervenção na Venezuela. Ele ressalta a complexidade de uma transição que preserve a governabilidade e evita rupturas profundas, com participação de atores locais.
Questionado sobre possíveis tropas norte-americanas, Petraeus afirma que presença militar não seria necessária se o regime manter um pragmatismo suficiente para facilitar negociações. A captura de figuras-chave seria parte de um processo de transição.
O general relembra que, em casos de mudanças de regime, os desfechos variam bastante. Ele cita exemplos como Granada, Panamá e partes da Primavera Árabe, destacando que resultados positivos dependem de acordos amplos com a população e instituições.
Petraeus comenta ainda as operações contra lanchas ligadas ao narcotráfico, reconhecendo o debate jurídico envolvido. Ele afirma não emitir juízo sem conhecer todos os vídeos e avaliações legais envolvidos no caso.
Sobre Groenlândia, o ex-oficial ressalta a relevância geoestratégica da região para bases e rotas de defesa. Em suas palavras, o objetivo não é anexar território, mas proteger interesses aliados por meio de cooperação, especialmente com a OTAN.
Contexto geopolítico
Petraeus reforça a importância de manter uma relação estável com China. Ele afirma que essa relação tem ramificações globais e precisa ser gerida para evitar rupturas que possam favorecer conflitos indiretos.
Janela de oportunidades
O general aponta que o momento atual oferece espaço para negociações com diferentes governos, desde que haja transparência, legitimidade e participação de atores civis, como parte de uma transição democrática.
Entre na conversa da comunidade