O primeiro-ministro cambojanês Hun Manet afirmou à Reuters que tropas tailandesas ocupam território cambodiano após os combates do ano passado, apesar do cessar-fogo mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Ele pediu que a comissão bilateral de fronteira seja autorizada a iniciar os trabalhos.
Hun Manet viajou a Washington para participar de uma reunião do chamado Board of Peace, criado para acompanhar um plano de paz em Gaza, mas que, segundo ele, pode atuar de forma mais ampla. O premiê disse que a situação na fronteira continua frágil, mesmo com o acordo de dezembro.
Contexto do acordo e da fronteira
O governo tailandês sustenta que mantém posições militares como medida de desescalada e nega ocupação de território. A tensão na fronteira se arrasta desde julho, com centenas de milhares de deslocados e prejuízos ao comércio ao longo dos 817 quilômetros do limite.
A crise já havia levado a um cessar-fogo em dezembro, seguido de um acordo com Trump e o primeiro-ministro malaio, que rapidamente se fragmentou. Um novo cessar-fogo foi alcançado em 27 de dezembro, mas as partes mantêm disputas sobre a delimitação.
Chamado à comissão bilateral
Hun Manet informou que a única forma de verificar a ocupação é por meio do mecanismo técnico existente, com base em tratados e acordos. Ele pediu que a Tailândia concorde com a atuação da Comissão Binacional de Fronteira o quanto antes, inclusive para delimitar na zona sensível da fronteira.
O premiê cambojano ressaltou que a relação com China e EUA não é exclusiva, e que Phnom Penh não tem nada a esconder sobre a base naval de Ream, ampliada pela China. As declarações ocorrem em meio a um cenário de aproximação com Washington.
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