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Embaixador cubano classifica medidas de Trump sobre petróleo como genocídio

Embaixador cubano classifica bloqueio dos EUA como genocídio que agrava crise energética e econômica, com efeito direto na população

Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou o embargo econômico e energético dos EUA como uma política genocida que visa privar a população de subsistência. A declaração ocorreu durante entrevista na Embaixada de Cuba em Brasília, sobre o endurecimento do bloqueio.

Curbelo ressaltou que o bloqueio, em vigor há 66 anos, inclui medidas de guerra não convencional contra embarcações que transportavam petróleo, além de sanções a seguradoras. O diplomata afirmou que a nova ordem executiva de Trump agrava a crise energética.

A entrevista foi concedida após o presidente norte-americano editar, em 29 de janeiro, uma Ordem Executiva que classifica Cuba como ameaça à segurança dos EUA. A medida prevê sanções a países que forneçam petróleo à ilha.

Contexto da medida dos EUA

Curbelo descreveu o cenário cubano como uma guerra não convencional, com impactos devastadores na economia. Segundo ele, a crise energética intensificou-se desde 2023, quando Cuba dependia de derivados de petróleo para cerca de 80% da energia consumida, segundo a AIE.

Impactos e respostas de Cuba

O embaixador citou medidas de austeridade para priorizar a população, inclusive organização do trabalho para permitir que parte da força de trabalho atue de casa. Outras ações incluem expansão da energia solar e aumento da capacidade de refino de petróleo.

Curbelo mencionou que Cuba instalou, no ano anterior, painéis fotovoltaicos suficientes para gerar cerca de 1.000 megawatts, elevando a geração de energia solar diurna para quase 40% do total. O objetivo é proteger serviços essenciais como hospitais, escolas e produção de alimentos.

O turismo, fonte de divisas, também é afetado pela falta de combustível. Sem petróleo, não há combustível para aviões, o que reduz entradas de receita e agrava o bloqueio econômico.

Reação internacional e perspectivas

O representante cubano afirmou que a comunidade internacional tem rejeitado as tarifas e a pressão dos EUA. Países do Sul Global e grandes potências, como Rússia e China, teriam manifestado solidariedade, com doações e apoio logístico à ilha.

Curbelo destacou que a solidariedade prática é tão importante quanto a denúncia diplomática, citando ajuda humana recebida e cooperação de parceiros. A entrevista reforçou o compromisso de Cuba com a soberania e o diálogo, sem abrir mão da independência.

Agência Brasil viajou para a entrevista na Embaixada de Cuba, em Brasília, para ouvir o embaixador Adolfo Curbelo Castellanos sobre o endurecimento das sanções e seus efeitos no dia a dia cubano. Fonte: Agência Brasil.

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