Uma pesquisa publicada pela revista The Lancet sustenta que a ofensiva de Israel contra Gaza matou 75.200 palestinos entre outubro de 2023 e janeiro de 2025. O estudo aponta 25.000 mortes a mais que as registradas pelo ministério de saúde da Faixa.
Conduzido com entrevistas com 2.000 famílias gazadas, o levantamento considera as 72.069 fatalidades apuradas pelas autoridades locais como estimativa conservadora. A ONU utiliza esse registro como referência, segundo os autores.
A pesquisa também aponta 8.540 óbitos indiretos, decorrentes de condições de vida deterioradas no enclave. O estudo foi liderado pelo economista Michael Spagat, da Royal Holloway, e envolve demógrafos e epidemiólogos.
Metodologia e dados
O levantamento foi realizado entre 30 de dezembro de 2024 e 5 de janeiro de 2025, com entrevistas no terreno em Gaza. Resultados indicam que, até início de 2025, o número de vítimas diretas supera em 34% o canal oficial.
Os autores destacam que mais da metade das mortes diretas ocorreram entre mulheres, crianças ou idosos acima de 64 anos. O estudo não separa civis de combatentes nas fatalidades diretas.
Contexto humanitário e recorte temporal
Desde 7 de outubro de 2023, quando Hamás atacou alvos em Israel, a região vive a crise humanitária mais grave do conflito. O cessar-fogo parcial, iniciado em 2024, não eliminou mortes nem agravou as condições de vida no território.
Entretanto, a pesquisa aponta que a fome e a falta de acesso a serviços médicos contribuíram para mortes não diretamente ligadas a ataques. Organizações da ONU indicaram desnutrição em milhares de crianças até janeiro de 2025.
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