Mais de 75 mil palestinianos foram mortos nos primeiros 15 meses da ofensiva militar de Israel em Gaza, segundo estudo publicado na Lancet Global Health. A pesquisa, peer-reviewed, aponta números superiores aos 49 mil anunciados na época por autoridades locais de saúde. O recorte cobre o período até 5 de janeiro de 2025.
O estudo argumenta que mulheres, crianças e idosos constituíram 56,2% das mortes violentas em Gaza nesse intervalo, trajetória que, segundo os autores, se aproxima das avaliações do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza. A análise é apresentada como a primeira pesquisa populacional independente sobre mortalidade no território.
Metodologia e principais números
A pesquisa foi conduzida pelo Palestinian Center for Policy and Survey Research, liderado por Khalil Shikaki, com Michael Spagat, da Royal Holloway, como autor principal. Foram ouvidas 2.000 famílias palestinas em Gaza, em entrevistas presenciais de sete dias iniciadas em 30 de dezembro de 2024.
Os autores dizem que, até 5 de janeiro de 2025, entre 3% e 4% da população de Gaza havia morrido de maneira violenta, com um número considerável de óbitos não violentos indiretos causados pelo conflito. A coleta não utilizou apenas registros oficiais, segundo o estudo.
Também foram estimadas 16.300 mortes não violentas nos 15 meses em estudo, decorrentes de doenças, condições pré-existentes, acidentes ou outras causas não ligadas diretamente aos combates. Ao todo, os autores apontam 75.200 mortes violentas nesse período.
Contexto e disputas sobre os números
A contagem de vítimas em Gaza permanece alvo de disputas. O UNICEF e a ONU têm, historicamente, aceitado os números do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza como referência confiável, apesar dos debates sobre logística de coleta de dados diante da destruição. Israel questiona as cifras, citando controle do ministério pela liderança Hamas, embora uma autoridade militar tenha dito recentemente que os números seriam amplamente precisos, posição que a própria assessoria militar negou.
Os pesquisadores afirmam que as estimativas de mortalidade apresentadas pelo estudo são consistentes com relatos de campo e que, caso haja subnotificação, esta seria inferior a 40% nos primeiros meses da guerra, podendopersistir com margens semelhantes. O estudo destaca que é a primeira análise de mortalidade em Gaza baseada em entrevistas diretas com moradores, sem depender exclusivamente de registros oficiais.
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