O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) divulgou um relatório que alerta para riscos de limpeza étnica na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O documento cobre o período de 1º de novembro de 2024 a 31 de outubro de 2025 e aponta um clima de impunidade diante de violações do direito internacional associadas às autoridades israelenses.
Segundo o relatório, os ataques israelenses, somados ao bloqueio de Gaza, criaram condições de vida incompatíveis com a continuidade da presença palestina na região. O texto aponta que a demolição de bairros e a restrição de assistência humanitária parecem visar uma mudança demográfica permanente.
O documento descreve ainda um uso sistemático da força pelas forças de segurança em a Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, com detenções arbitrárias e demolições ilegais de casas. Essas ações são apresentadas como mecanismos de discriminação, opressão e controle sobre o povo palestino.
Em Gaza, o relatório registra mortes e ferimentos graves de civis, além da intensificação da fome e da destruição da infraestrutura civil. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, pelo menos 463 palestinos morreram de fome, incluindo 157 crianças, conforme o levantamento.
Constata-se que grupos armados palestinos, entre eles o Hamas, mantiveram civis reféns, capturados durante ataques de 7 de outubro de 2023. O OHCHR classifica o tratamento dos reféns como potencial crime de guerra.
O texto enfatiza que as ações atribuídas a Israel, somadas às práticas de grupos armados palestinos, configuram graves violações do direito humanitário internacional e possíveis crimes atrozes. Em resposta, a missão israelense na ONU em Genebra denunciou campanha de demonização do Estado de Israel.
O alto comissário Volker Türk alertou para passos rápidos que modificam permanentemente a demografia do território ocupado. Em defesa, o ministro israelense Bezalel Smotrich afirmou apoiar a migração de habitantes dos territórios palestinos.
O relatório conclui que as práticas israelenses, como conjunto, sugerem esforço coordenado para consolidar a anexação de áreas significativas do território ocupado e negar o direito à autodeterminação dos palestinos, além de apontar um clima de impunidade generalizada.
Türk afirmou que a responsabilização é essencial para alcançar uma paz estável na região. O documento reforça a necessidade de resposta internacional para violações verificáveis do direito internacional, sem indicar julgamentos ou opiniões próprias.
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