O Hamas realiza eleições de liderança entre seus membros em um momento crítico para o grupo. O objetivo é escolher delegados para o conselho geral de 50 membros, que definirá o novo corpo dirigente e o líder interino. O processo pode durar semanas.
Segundo a BBC e reportagens do Golfo, votações já teriam ocorrido em Gaza, com expectativa de participação no West Bank, em prisões israelenses e na diáspora. O voto acontece sob máxima confidencialidade pela ameaça de atentados contra leaders.
Os questionamentos centrais para o novo líder envolvem até onde cooperar com o plano de paz patrocinado pelos EUA, abrir mão de parte do arsenal e exigir retirada de Israel, além de pressionar pela inclusão em um governo de Gaza ou manter o Hamas na linha de fundo.
Desafios da liderança
A cúpula de Hamas sofre perdas severas. Israel assassinou líderes-chave, entre eles Yahya Sinwar e Mohammed Deif, além de atacar Gaza em grande escala, com dezenas de milhares de mortos. Dentre os feridos, estão o território e a continuidade do movimento.
Saleh al-Arouri, vice-líder, foi morto em Beirute em janeiro de 2024, e Ismail Haniyeh, líder político, em Teerã em julho de 2024. Um ataque aéreo em Doha, em setembro de 2023, não impediu a sobrevivência de líderes estratégicos.
Entre as evidências de disputa interna, Khalil al-Hayya e Khaled Meshaal aparecem como principais candidatos. Al-Hayya com base na ala de Gaza, porém residente no Golfo, é visto como linha dura. Meshaal lidera o Hamas no exterior e é considerado mais flexível.
Perspectivas e alianças
Meshaal estaria aberto a um acordo político com Israel, sem reconhecimento formal, e a uma reconciliação com a Autoridade Palestina. Al-Hayya tende a manter vínculos mais próximos com Irã e com a ala de Gaza, mantendo postura mais firme.
Analistas afirmam que o eixo entre Doha, Doha e Ancara pode influenciar a direção do movimento. A escolha pode definir relações com Estados árabes e com o Irã, além da estratégia de longo prazo.
O novo líder também enfrentará a tarefa de conciliar a demanda por desarmamento com a resistência de elementos militares. A discussão sobre entregas de armas a uma estrutura palestina ainda não está clara.
Operação de reconstrução
Relatórios da Reuters indicam que o Hamas tentou reestruturar sua organização nas últimas semanas. Entre as ações, a substituição de oficiais em ministérios de Gaza e a cobrança de impostos sobre mercadorias permitidas por cessar-fogo.
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