O Panamá assumiu o controle de dois portos operados pela CK Hutchison Holdings, de Hong Kong, após a conclusão de um processo judicial que anulou a concessão. Os portos de Balboa, no Pacífico, e Cristóbal, no Atlântico, passaram para a gestão da Autoridade Portuária do Panamá. A Justiça declarou a concessão inconstitucional após quase três décadas de operação pela empresa. A transição foi formalizada neste 23, com a publicação da decisão no diário oficial.
A Autoridade Marítima do Panamá informou que a ocupação assegura a continuidade das operações, enquanto se define a transição para novos operadores. A PPC, braço panamenho da Hutchison, reagiu chamando as medidas de confiscatórias e alegou falta de transparência e coordenação. A Hutchison já havia anunciado a contestação da decisão na Câmara de Comércio Internacional.
Balboa ficará sob a gestão da APM Terminals, unidade da Maersk, e Cristóbal ficará com a Terminal Investment Limited, parte do grupo MSC. A transição durará 18 meses, período em que os terminais operaram com equipamentos da Hutchison até a licitação para uma nova concessão. O Estado panamenho diz proteger consumidores e trabalhadores durante o processo.
Ocupação e impactos operacionais
A tomada de controle ocorre após a Corte panamenha ter julgado a concessão como desproporcional em favor da empresa, prejudicando o Erário. A decisão provocou reação internacional, incluindo mensagens dos EUA, que receberam com apoio a intervenção. O governo afirmou que não haverá demissões nos terminais durante a transição, onde cerca de 1.200 pessoas trabalham.
Diante da mudança, caminhões com contêineres permaneceram parados e o portão de entrada foi fechado em Balboa e Cristóbal. Em 2025, quase 10 milhões de contêineres passaram pelos portos do Panamá, com aproximadamente 38% operados pela Hutchison. A administração pública garantiu que seguirá buscando acordo econômico com a Hutchison sobre o maquinário.
Desdobramentos legais e estratégicos
O Panamá planeja contratar escritórios de advocacia internacionais para defender a posição na Corte Internacional de Comércio, em Paris, em um processo que se estima longo. A Hutchison reagiu dizendo que continuará buscando meios legais para contestar a decisão caso haja tomada sem consentimento, enquanto a China advertiu que exigirá resposta proporcional.
A administração panamenha ressaltou que a intervenção é para manter a operação estável das vias de passagem e que não se trata de expropriação. A autoridade destacou que o objetivo é manter a fluidez logística do canal, essencial para o comércio mundial, enquanto se avança para a revisão contratual e licitação dos terminais.
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