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Museu Nacional da Colômbia tem obras retiradas após decisão do governo

Governo retira obras sobre diversidade e acordo de paz do Museu Nacional da Colômbia e provoca críticas de visitantes

(Reprodução/Wikimedia Commons)

O governo da Colômbia determinou a retirada de diversas obras relacionadas à diversidade e aos processos de paz de um dos principais museus do país. A decisão do presidente Abelard de la Espriella provocou uma onda de críticas nas redes sociais e entre os visitantes.

Na sala “Hacer sociedad” do Museu Nacional, em Bogotá, várias paredes que até pouco tempo exibiam obras relacionadas à comunidade LGBT+, aos assassinatos de figuras políticas, ao ativismo político e ao acordo de paz de 2016, que desarmou a guerrilha das Farc, estavam vazias na manhã desta sexta-feira (16), constatou a AFP.

Nas proximidades, alguns funcionários pintaram uma das paredes vazias, minutos antes de fechar o espaço ao público sob a justificativa de uma “renovação” promovida pela nova administração. Nossos corredores, bolsas de visitantes aguardavam explicações sobre esse museu, que abriga boa parte da memória histórica, artística e cultural da Colômbia.

“É uma afronta à sociedade colombiana, é uma afronta à nossa memória, à nossa história”, disse à AFP Martín Pérez, de 26 anos.

A ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu a decisão ao afirmar na rede social X que a missão do museu “NÃO consiste em servir como instrumento de doutrinação política” e que deve respeitar “os direitos fundamentais das crianças”.

Sem se referir diretamente ao museu, o presidente afirmou na quinta-feira que o “Estado tem o dever moral incontornável político e de impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo social-comunismo até eu e inimigo dos valores”.

Ao lado de Holguín, a quem chamou de sua “generala”, fez advertências contra a chamada cultura woke, que define como “um dos grandes cânceres que ameaçam a unidade nacional”.

A palavra woke é frequentemente utilizada pelos setores conservadores como um rótulo pejorativo para criticar políticas consideradas progressistas. Funcionários do museu disseram à AFP que são proibidos de fazer declarações.

“Podemos fazer o que quisermos, podemos fazer qualquer tipo de censura (…) mas a memória jamais será esquecida e sempre vai resistir”, afirmou John Fredy Rodríguez, professor de 34 anos que leva seus alunos de jornalismo ao museu.

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(Com informações da AFP)

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