Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, discursou na Conferência de Segurança de Munique nesta edição, buscando transmitir aos europeus que a aliança com o continente continua relevante para a administração de Donald Trump. O tom foi de garantia, após meses de dúvidas sobre a defesa prevista pelo NATO.
A base da parceria, porém, mudou de foco. Em vez de o eixo ser a ameaça russa, o interesse passou a residir em uma noção vaga de “civilização Ocidental” derivada de história compartilhada, fé cristã, cultura e herança. Crítica aponta para fragilidade conceitual da ideia.
A mudança é acompanhada de sinalizações de questionamento a instituições como o direito internacional e a ordem baseada em regras. Em Munique, o conceito de “ordem global” foi contrastado com interesses nacionais, sugerindo menor ênfase em normas que não estejam diretamente ligadas a poder.
O open debate sobre a ameaça russa foi surpreendentemente ausente no discurso de Rubio, mesmo com a escalada da agressão de Moscou contra a Ucrânia ao longo de cinco anos. Autoridades alemãs destacaram riscos de guerra híbrida, incluindo desinformação, ciberataques e sabotagem.
Enquanto a gestão Trump minimiza a ajuda direta a Ucrânia, o tom de alguns assessores é visto como menos comprometido com a defesa transatlântica tradicional. A referência a uma “civilização comum” é interpretada por críticos como apelo político a bases do movimento MAGA e a eleitores populistas europeus.
Alguns analistas destacam que o governo americano também tem rebaixado o valor de normas internacionais. Em Davos, o tom foi de cautela quanto à ideia de uma ordem mundial baseada em regras, o que, segundo críticos, favorece ações de grandes potências sem freios.
Em consequência, parte da Europa manifesta menor confiança na continuidade do alinhamento histórico com os EUA. Pesquisas indicam queda de percepção de aliança e aumento de iniciativas para reduzir dependências em relação a Washington.
Dado esse cenário, especialistas ressaltam que a cooperação continua necessária para conter a Rússia e sustentar a Ucrânia. Ainda assim, vigora a expectativa de que a relação permaneça sob revisão, com impactos na política externa europeia e nos debates sobre segurança regional.
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