Washington pressiona Síria a abandonar sistema de telecoms baseado em tecnologia chinesa
Um comitê do Departamento de Estado dos EUA informou à Síria que o uso de tecnologia chinesa em telecomunicações entra em conflito com interesses americanos e a segurança nacional. A afirmação foi feita por três fontes envolvidas nas discussões.
A reunião ocorreu de forma não divulgada em San Francisco nesta terça-feira, entre o ministro sírio das Comunicações, Abdulsalam Haykal, e a equipe norte-americana. O objetivo foi esclarecer os planos de aquisição de equipamentos chineses pelo setor.
Segundo as fontes, Damasco vem avaliando a possibilidade de adquirir tecnologia chinesa para torres de telecomunicações e infraestrutura de operadoras locais, em meio a sanções ocidentais que moldam o cenário tecnológico.
A delegação americana foi clara ao pedir esclarecimentos sobre as intenções sírias e reforçar que deve-se priorizar tecnologia americana ou de aliados em infraestrutura crítica. Não ficou patente apoio financeiro ou logístico.
#### Contexto regulatório e impactos
Alguns representantes sírios citam controles de exportação dos EUA como entrave à compra de equipamentos. A necessidade de diversificar fornecedores também foi mencionada pela parte síria.
Fontes da indústria afirmam que a Huawei responde por mais de 50% da infraestrutura da Syriatel e da MTN, as duas operadoras locais, segundo documentos consultados pela Reuters. A Huawei não comentou imediatamente o assunto.
A Síria busca atrair investimentos para recompor o setor de telecomunicações, fortemente atingido pela guerra de 14 anos. Em fevereiro, a STC, maior operadora saudita, anunciou investimento de 800 milhões de dólares para ampliar infraestrutura e conectar o país a uma rede de fibra óptica.
A pasta das Comunicações síria afirmou que decisões sobre equipamentos são tomadas conforme padrões técnicos e de segurança nacionais, priorizando a diversificação de parcerias para defender o interesse do país. O órgão destacou que as restrições americanas dificultam o acesso a tecnologias dos EUA.
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