A complexa teia de poder do Irã envolve líderes eleitos, clérigos nomeados e militares de peso. O país mantém instituições com funções distintas, mas interdependentes, que moldam a política externa, a economia e a segurança. O líder supremo tem o controle final sobre áreas estratégicas.
As estruturas não eleitas exercem influência decisiva. O Parlamento, o Conselho dos Guardiães e o Conselho de Discernimento atuam como cofre de instituições que aprovam leis, fiscalizam candidaturas e mediadores de conflitos entre órgãos. A dinâmica entre esses órgãos define cenários de governança.
Líder Supremo e Assembleia dos Peritos
Ali Khamenei foi nomeado líder supremo em 1989 pela Assembleia dos Peritos, órgão de clérigos de 88 membros. A posição é vitalícia e concentra decisão final sobre guerra, paz e Forças Armadas. A assembleia elege o líder, com poderes amplos para nomear autoridades.
A Assembleia dos Peritos supervisiona o líder e destina o papel de quem ocupa o cargo, mantendo controle sobre a legitimidade da liderança. Sua função histórica é balizar a continuidade do regime conforme a Constituição.
Presidente e governo
Masoud Pezeshkian foi eleito em julho de 2024, após a morte do presidente Raisi. Ocupa o posto de nono presidente da república islâmica, com mandato de quatro anos. O cargo cuida da gestão cotidiana e da diplomacia, mas o peso político recai sobre o líder supremo.
Pezeshkian, visto como moderado, prometeu reformas limitadas, retomar negociações sobre o programa nuclear e responder a descontentamentos públicos. Governa, no entanto, com restrições impostas por instituições conservadoras.
Conselho dos Guardiães
O Conselho dos Guardiães, hoje presidido por Ahmad Jannati, é responsável por checar a conformidade de leis com a Constituição e a lei islâmica. Com 12 membros, metade clérigos indicados pelo líder e metade juristas escolhidos pelo Parlamento, tem grande influência eleitoral.
O órgão aprova candidatos a cargos executivos e legislativos, além de supervisar a elegibilidade de candidaturas. Aí reside a capacidade de moldar o quadro político até mesmo de eleições nacionais.
Conselho de Discernimento
O Conselho de Discernimento atua como mediador entre Parlamento e Guardiães, especialmente quando há conflito com a lei islâmica ou a Constituição. Seus membros incluem clérigos, oficiais militares e tecnocratas.
Embora seja visto como consultivo, o conselho costuma funcionar como extensão da autoridade do líder, contribuindo para a formulação de políticas nacionais e a continuidade institucional durante crises.
Guarda Revolucionária do Irã
A Guarda Revolucionária (IRGC) surgiu para proteger o regime desde 1979. Hoje, além de defender o país, controla parte relevante da economia, estimada entre 20% e 40%, via áreas como engenharia e setores estratégicos.
No âmbito militar, a IRGC atua com a Basij, para dissidências internas, e a Quds, para operações no exterior. Sua estrutura de inteligência também acompanha o ritmo das mudanças regionais, mantendo forte influência política.
Parlamento (Majlis)
O Majlis, com 290 membros, é eleito a cada quatro anos. Em 2024 houve novas eleições, com o bloco conservador mantendo peso significativo. A autoridade legislativa, entretanto, é limitada pela atuação do Conselho dos Guardiães.
O presidente do Majlis, Mohammad Bagher Qalibaf, é um ex-general da IRGC e figura proeminente no establishment político. A influência dele se estende ao fortalecimento de uma agenda conservadora.
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