O levante popular no Nepal deixou famílias desoladas e moldou o debate eleitoral. No fim de 2023, centenas de manifestantes lotaram o entorno do parlamento exigindo combate à corrupção e mais empregos. Dois dias de protestos resultaram na morte de 77 pessoas e na queda do primeiro-ministro K P Oli.
O episódio ligado a Rashik Khatiwada, 23 anos, tornou-se símbolo da crise. O estudante foi morto pouco depois de erguer um cartaz com críticas ao sistema. A família de Rashik, representada pela mãe Rachana Khatiwada, pediu responsabilização pelos desfechos violentos e justiça para os jovens.
Os desdobramentos políticos abriram espaço para novos protagonistas. Balendra Shah, rapper e atual prefeito de Katmandu, concorre ao posto de primeiro-ministro com apoio de um movimento que ganhou força entre jovens e famílias afetadas pela violência. Khatiwada apoiou a candidatura como candidata proporcional do Rastriya Swatantra Party.
Parbati Subedi, que trabalha desde cedo como diarista, sustenta a filha após a morte do marido na repressão do governo Oli. Outras famílias mencionam promessas não cumpridas, incluindo assistência médica, pensões e oportunidades de emprego para parentes das vítimas.
Aviões de cobrança políticas apontam para uma resposta tardia de um governo interino, que já havia concedido cerca de 1,5 milhão de rúpias a parte das famílias reconhecidas como mártires. A comissão encarregada de apurar as circunstâncias das mortes recebeu três prorrogações e deve apresentar conclusão após as eleições.
Enquanto a campanha avança, muitos nepaleses buscam mudanças estruturais após a experiência de 8 e 9 de setembro. A manifestação deixou claro o desejo de aperfeiçoar a governança, reduzir a impunidade e ampliar oportunidades econômicas, segundo relatos de famílias afetadas.
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