O conflito envolvendo o Irã mantém as milícias alinhadas, mas silenciosas até o momento. Segundo análises, a ideia de uma guerra de mudança de regime faria explode as forças ligadas ao Irã no Líbano, Iraque e além. As próprias milícias reforçam esse receio.
Antes dos ataques recentes de Israel e dos EUA, o Hezbollah afirmou que a morte do líder iraniano, Ayatollah Khamenei, seria uma linha vermelha. O grupo lançou foguetes contra Israel, provocando resposta militar em território libanês.
Duas facções iraquianas apoiadas pelo Irã sinalizaram defesa do Irã, com uma descrita como “sagrada”. Lideranças do Houthi indicaram à AP que voltariam a atacar navios no Mar Vermelho. A quietude, porém, não é garantia de ausência de ação futura.
Contexto regional
A relação entre as milícias e o governo iraniano é marcada por planejamento estratégico e limitações logísticas. As capacidades comparadas aos arsenais dos EUA e de Israel permanecem desiguais, o que pode explicar a ênfase em ataques contidos ou apenas retóricos.
Analistas ouvidos pela imprensa destacam que Hezbollah, antes visto como pilar de defesa contra ataques ocidentais, viu sua capacidade reduzir ao longo dos anos. A veracidade de ações de grande escala permanece incerta.
Eran Lerman, ex-assessor de Segurança de Israel, afirmou que o grupo ainda possui um arsenal, mas seu uso envolve alto custo. Segundo ele, Israel pode responder com penetraçar intensa de inteligência e ações limitadas, inclusive com incursões terrestres se necessário.
Dinâmica no Líbano e no Iraque
Nawaf Salam, primeiro-ministro do Líbano, pediu que Hezbollah evite envolvimento direto no conflito. A pressão doméstica que enfrenta o país, somada à reconstrução econômica, reduz o espaço para escaladas que agravem a crise interna.
Em relatório, analistas destacam que as milícias iraquianas não formam uma única linha de comando. Grupos como Kataib Hezbollah e Harakat al-Nujaba são vistas como os mais alinhados com o IRGC, com maior probabilidade de resposta, versus facções mais integradas ao Estado iraquiano.
Revkin, especialista em Iraque, aponta que as facções dispõem de drones, foguetes e capacidade de atuar além das fronteiras. Ainda assim, o custo político interno pode frear ações de grande escala, segundo a pesquisadora.
Houthis e cenário marítimo
Os Houthis no Iêmen já atingiram instalações petrolíferas sauditas no passado e representam risco a rotas no Golfo. A MSC solicitou aos seus navios no Golfo abrigo seguro como precaução, para evitar impactos nos custos globais de energia.
Apesar de manterem certa autonomia, os Houthis reduziram dependência de fornecimento externo desde a aquisição de capacidades locais para fabricar armas. Isso pode influenciar sua participação em ações no atual conflito.
Perspectivas para o desfecho
Ainda é cedo para prever reações definitivas das milícias. Há receio de que o Irã utilize proxies para sufocar protestos domésticos ou para ampliar a pressão regional se sentir ameaçado.
Alguns estudos sugerem que os grupos podem permanecer suspensos para preservar a estabilidade interna de seus países, enquanto outros indicam a possibilidade de mobilização caso o regime iraniano precise defender sua sobrevivência ou atacar ativos norte-americanos na região.
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