Quando o presidente Donald Trump retomou a Casa Branca no ano passado, parte dos hawks russos viu a disputa no tabuleiro global de forma cautelosa, acreditando que sua imprevisibilidade poderia favorecer Moscou na Ucrânia. A percepção mudou após o ataque de Trump ao Irã, que alimenta dúvidas sobre a confiabilidade do pedido de paz washingtoniano.
Moscou encara o episódio como sinal de que os EUA podem se manter como uma força instável no cenário internacional, o que alimenta a pressão para reavaliar estratégias. Analistas veem a resposta de Washington ao confronto com o Irã como um fator que complica a busca de um acordo de paz com a Ucrânia.
Alguns interesses ultranacionalistas russos pedem que o Kremlin abandone negociações sob mediação dos EUA e intensifique o combate na Ucrânia, argumentando que a diplomacia com Washington é vista como oportunista. O debate reflete a percepção de que a política externa dos EUA pode mudar rapidamente.
Conselheiros próximos de Putin e comentaristas de direita criticam Trump, descrevendo-o como impulsionado pela impunidade. Há ainda quem considere o ex-presidente uma ameaça que pode transformar o cenário geopolítico, com impactos sobre a própria Ucrânia.
O Kremlin mantém a posição de continuar as conversas de paz, ainda que haja incerteza quanto ao momento e ao local da próxima rodada de negociações. O governo russo afirma apoiar o diálogo, ao mesmo tempo em que ressalta discordâncias com políticas de Washington.
Especialistas russos indicam que Moscou, apesar de ter desenvolvido capacidades com drones de design iraniano, não tem condições de ampliar significativamente o apoio a Teerã no momento. Observadores também mencionam possíveis impactos econômicos, como pressões sobre o orçamento.
Alguns analistas sugerem que mudanças no cenário regional podem favorecer a Rússia de forma indireta, por exemplo com ajustes no preço do petróleo ou na renda de exportação para parceiros como China e Índia. Outros alertam para menor fluxo de armamentos dos EUA à Ucrânia.
A tensão interna entre atingidos pela política externa dos EUA e a linha de apoio ao Kremlin evidencia o temor de que Trump tenha retirado aliados estratégicos russos de posições estáveis. Entre os divergentes, há receio de que a gestão atual dos EUA reduza o apoio a Moscou a longo prazo.
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