O Brasil acompanha as repercussões do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, ocorrido no fim de semana, que marcou novo capítulo nas hostilidades regionais. O debate público envolve se o país deve atuar apenas como mediador ou assumir um papel mais ativo de contenção.
Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, afirma que o Brasil tem responsabilidade na contenção da escalada, mas não deve se apresentar como mediador neutro. Para ele, um precedente fora da legalidade internacional na área nuclear deixaria o Brasil vulnerável a pressões externas.
Segundo Rabah, o apoio aos EUA e a Israel poderia provocar uma mudança de paradigma, expondo o Brasil a chantagens semelhantes às vividas em 2005, quando houve acusações sobre um possível programa nuclear não pacífico. Ele aponta que o Irã também está sujeito a inspeções da AIEA como signatário do TNP.
O Itamaraty condenou as agressões logo que o conflito explodiu, manifestando preocupação com a escalada no Golfo. O embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu o posicionamento brasileiro e destacou que ele valoriza soberania e independência dos estados.
O papel do Brasil na mediação
O governo tem avaliado a possibilidade de atuar como mediador entre Washington e Teerã. Aliados de Lula sugerem evitar críticas públicas a Trump e direcionar esforços a negociações diretas entre EUA e Irã, mantendo o foco na contenção do conflito.
O presidente da Fepal defende, além da mediação, que o Brasil fortaleça a sua indústria de defesa. Ele aponta necessidade de caças, mísseis, uma frota marítima robusta e submarinos de propulsão nuclear para proteger o Atlântico e as reservas petrolíferas.
Motivações de EUA e Israel
Para Rabah, os EUA buscam manter o poder imperial, a liderança do dólar e conter a China e o conjunto dos Brics, além de preservar a indústria bélica. O Irã, por sua vez, seria visto como concorrente no mercado de armamentos.
Quanto a Israel, o líder da Fepal aponta o projeto do Grande Israel, que envolve ampliar o controle regional até o Eufrates. Segundo ele, esse objetivo exige enfraquecer opositores, entre eles o Irã, que é visto como bloco regional e desafio ao monopólio do dólar.
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