O governo brasileiro enfrenta a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A ofensiva oficial busca barrar a ideia e evitar impactos jurídicos e de soberania para o Brasil.
A depender da decisão de Washington, sanções adicionais e ações militares fora do território podem ganhar campo. O Planalto teme que a classificação abra espaço para intervenções unilaterais contra narcotráfico na região.
O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone no domingo 8 com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para expor a posição contrária do Brasil. O Itamaraty sustenta que PCC e CV atuam principalmente por lucro, não por motivação política.
Segundo a avaliação brasileira, as facções são organizações criminosas que trabalham por ganho financeiro, características distintas de grupos que efetivamente adotam o terrorismo no direito internacional. Por isso, o enquadramento não seria adequado.
A possibilidade de designação segue uma tendência recente do governo Trump, que incluiu cartéis e grupos ligados ao narcotráfico na lista de organizações terroristas estrangeiras. A discussão aparece como um tema de política externa entre os dois países.
A questão pode entrar na pauta de uma possível reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, ainda sem data definida, prevista para este mês. A reunião busca tratar de comércio, segurança e narcotráfico, entre outros temas.
Entre na conversa da comunidade