O presidente Lula tem conduzido conversas com outros líderes da região para tratar da pressão dos EUA em classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O tema ganhou espaço após reuniões recentes pela via telefônica.
Nesta semana, Lula falou com Gustavo Petro, da Colômbia, e com Claudia Sheinbaum, do México. Os dois são entre os poucos chefes de governo progressistas remanescentes no continente.
O alvo da pressão norte-americana são o Comando Vermelho e o PCC. O material já foi consolidado pelo Departamento de Estado e recebeu aval de agências, mantendo o formato usado em ações anteriores contra quadrilhas na região.
Grupos do México já enfrentaram mudanças de classificação. Em fevereiro, EUA indicou várias facções de narcotráfico, além de uma venezuelana e outra salvadorenha, como FTOs e SDGTs.
A possível mudança preocupa o governo brasileiro, pois pode abrir espaço para sanções financeiras e maior cooperação internacional, influindo no combate ao crime organizado.
Lula defende que o enfrentamento ao crime seja feito de forma conjunta, com integração de inteligências entre Brasil e outros países, sem coibir a soberania. O Itamaraty ressalta cautela com as motivações da medida.
A Venezuela é citada como exemplo. O país foi alvo de ações sob o pretexto de combater o tráfico de drogas, e hoje há discussões sobre controle de petróleo e presença de tropas estrangeiras.
O tema deverá entrar na pauta da próxima reunião da Celac, em maio. No bloco, há uma tendência crescente de apoio às ações dos EUA, o que contrapõe a posição de Lula, Petro e Sheinbaum.
Contexto regional
O debate envolve soberania, cooperação e instrumentos de combate ao crime, com impactos em relações diplomáticas e econômicas entre países da América Latina.
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