O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro, ainda não entregou os resultados prometidos pelos líderes de Washington e Tel Aviv. Mesmo com ataques aéreos, o regime iraniano permanece de pé e mostrou força na rua, em meio a luto pela morte do ex‑líder supremo Ali Khamenei e à tomada de posse do herdeiro Mojtaba Khamenei. O Irã também mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa parte relevante do petróleo mundial, e segue com capacidade de responder a ataques na região do Golfo.
Ao longo de mais de uma dezena de dias, o governo iraniano não cedeu à pressão militar. Enquanto isso, o país recebeu grandes demonstrações de apoio popular, acompanhadas de uma doutrina de retaliação que inclui possibilidades de atingir alvos norte‑americanos e israelenses na região. Esse cenário contrasta com as previsões de rápida virada política que justificavam a ofensiva, inclusive por parte de autoridades regionais que viam no Irã uma ameaça ao equilíbrio regional.
Desenho da operação e impactos
Para Israel, o objetivo declarado era eliminar o que se descreve como ameaça nuclear, uma narrativa repetidamente contestada por observadores internacionais. Nos Estados Unidos, o debate interno expôs divergências entre o governo e setores próximos a Tel Aviv, com o secretário de Defesa em tom mais duro após mensagens iniciais. A comoção internacional ficou evidente pela reação de aliados europeus, que evitaram participar ativamente de ações ofensivas, mantendo foco em defesa de bases na região.
A popularidade de Donald Trump, envolvido na resposta ao conflito, caiu entre eleitores e dentro da base MAGA, que criticou o rumo da operação. Dados de pesquisas indicam desaprovação elevada entre eleitores, o que agrava preocupações sobre a viabilidade política da campanha diante do calendário eleitoral. O contexto também impactou o mercado global de petróleo, com o Brent atingindo picos próximos a 120 dólares por barril, antes de recuos após anúncios.
Repercussões e posição internacional
A coordenação entre os EUA e seus aliados ficou marcada por descompasso. Enquanto a Europa enviou suporte limitado à operação, ela reiterou o compromisso com ações defensivas e ressaltou a necessidade de observância do direito internacional. A resposta internacional é vista como indicativa de isolamento crescente dos EUA diante de ações unilaterais no Oriente Médio, com possíveis efeitos a longo prazo nas relações transatlânticas e na condução de políticas de segurança regional.
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