Afeganistão vive incerteza sobre a quantidade de mortos, desaparecidos e feridos após o bombardeio a um centro de reabilitação de dependentes químicos em Kabul, na noite de segunda-feira. A operação foi reivindicada pelo governo talibã e tem gerado divergência de números entre autoridades e entidades internacionais.
A ONU informou, por meio da Unama, que o ataque deixou 143 mortos no centro Omid para Tratamento de Adicções. O governo talibã tinha divulgado uma cifra de 408 mortos e 265 feridos, números que não foram confirmados por organizações independentes.
Familiares ainda buscam pacientes entre os escombros dois dias após a tragédia. Em Kabul, um morador de 50 anos relata dificuldade para localizar familiares que estavam no hospital; muitos não constam em listas de vivos nem de mortos.
Na mesma região, outros relatos indicam que alguns corpos estavam irreconhecíveis, dificultando a identificação. O trabalho do setor forense segue com entregas de corpos já identificados, enquanto ainda há pessoas sob custódia médica ou desaparecidas.
O Omid funciona desde 2016 como centro de reabilitação de dependentes após ter sido uma base militar usada pela época de combate. Segundo autoridades, o local recebia pacientes de diferentes áreas da capital.
Atenção internacional se voltou para a Responsabilidade do Direito Internacional Humanitário. A Unama pediu que todas as partes do conflito protejam pacientes, médicos, hospitais e ambulâncias, reiterando a proibição de ataques a instalações civis.
O confronto entre Paquistão e Afeganistão também é citado como contexto da tragédia. Islamabad acusa Kabul de permitir bases de milícias perto da fronteira, enquanto a violência na região tem aumentado em ataques aéreos e confrontos.
Segundo dados da Unodc e de relatórios oficiais, a violência na fronteira resultou em dezenas de mortes civis, incluindo crianças. A organização internacional também reforçou a necessidade de investigações independentes e transparentes sobre o episódio em Kabul.
- Em Kabul, voluntários da Cruz Vermelha mobilizam assistência e acompanham o andamento das buscas por parte de familiares.
- Observadores destacam a importância de informações verificáveis para evitar disseminação de números não confirmados, enquanto familiares aguardam por respostas.
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