A violência sexual está sendo usada como arma de guerra no Sudão, com mulheres e meninas no centro de ataques que acompanham deslocamentos em massa e serviços de saúde limitados, segundo a representante do UNFPA no país. O conflito, que começou em abril de 2023, é descrito pela ONU como a pior crise humanitária já registrada.
Fabrizia Falcione afirma que nunca presenciou violência sexual em conflitos de escala tão ampla. Segundo ela, grupos em conflito recorrem a estupro para desintegrar comunidades, com as mulheres como principais alvos por manterem famílias e redes locais. As denúncias são de Darfur e Kordofão, regiões com intensos combates entre as Forças Armadas Sudanesa e o grupo paramilitar RSF.
As mulheres que chegam aos abrigos relatam violência na passagem pelo território e, em alguns casos, partos ocorridos na estrada, com desfechos ainda incertos. Além do trauma físico, aparecem riscos de doenças sexualmente transmissíveis, gravidezes indesejadas e estigmatização social.
Deslocamento e serviços essenciais
Mais de 9,3 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no Sudão após mais de mil dias de conflito, na maioria mulheres e crianças. Cerca de 3 milhões retornaram às suas regiões de origem; mais de 1 milhão reestabeleceram-se em Khartoum, segundo a IOM.
Falcione destaca que o retorno depende de a população encontrar serviços básicos, como oportunidades de emprego e saúde. A UNFPA mantém unidades móveis de saúde e espaços seguros dedicados a mulheres e meninas, com apoio psicossocial para enfrentar traumas e facilitar a reinserção social.
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