Tommy Mottola teve relação próxima com Jeffrey Epstein, aponta a pesquisa de quase 1.000 documentos do DOJ divulgados pela imprensa. Os papéis indicam que o vínculo entre as figuras foi mais estreito do que se pensava.
Entre 2004 e 2019, contatos entre Mottola e Epstein aparecem com frequência, incluindo troca de telefonemas e mensagens. O ex-CEO da Sony Music direcionou Epstein a uma empresa de investigação particular, Nardello & Co., ainda que não haja evidência de crime por parte de Mottola.
Em 2019, pouco antes da prisão de Epstein, Mottola enviou contatos da empresa de investigação ao colega, em um movimento que pode ser interpretado como tentativa de ajudar, segundo as notas dos investigadores. Epstein foi preso por tráfico sexual e cometeu suicídio meses depois.
A relação envolve ainda encontros em Palm Beach, onde Epstein era alvo de investigações, e a documentação mostra que Mottola era procurado para conselhos sobre negócios, viagens e eventuais oportunidades em arte e entretenimento, sem indicação de participação em crimes.
Segundo os advogados de Mottola, ele nunca teve conhecimento das atividades ilícitas de Epstein. Eles afirmam que Mottola era apenas um conhecido sem envolvimento nos delitos, e que não houve visitas regulares ou participação em eventos criminosos.
Além do aspecto profissional, os documentos revelam que Epstein explorou a relação para facilitar o acesso de jovens mulheres à indústria do entretenimento, inclusive tentando apresentar Mottola a pessoas influentes. Em alguns casos, os textos descrevem a espera de oportunidades para as mulheres, sem que haja confirmação de encontros diretos entre Mottola e as supostas vítimas.
Em 2017 e 2018, surgem relatos sobre Epstein recorrendo a Mottola para influenciar projetos e redes de contatos, incluindo sugestões de investimento e parcerias. As autoridades não apontam que Mottola tenha participado de atividades relacionadas aos crimes atribuídos a Epstein.
As informações mostram ainda que Epstein considerou envolver Mottola em negociações com empresas de entretenimento e gerência, e que o músico-coautor teve contatos com figuras ligadas a Epstein, como modelos e executivos. Mottola nega ter sido participante ativo nos crimes do empresário.
A imprensa ressalta que a relação foi marcada por idas e vindas, com períodos de maior proximidade e fases de menor troca de mensagens. Em resumo, a documentação não comprova delitos por parte de Mottola, mas indica uma relação contínua que se estendeu por anos.
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