O artista franco-libanês Ali Cherri apresentou uma denúncia de crimes de guerra na França, após um ataque aéreo israelense em Beirut em 26 de novembro de 2024 que matou seus pais, Mahmoud Naim Cherri e Nadira Hayek, e outros civis. A queixa é apoiada pela Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH). O caso foi registrado na Unidade de Crimes de Guerra da França em 2 de abril.
O ataque atingiu um prédio na região densamente populosa de Noueiri, no centro de Beirut, pouco antes de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hizbollah. Segundo pesquisas independentes, o edifício não apresentava função militar clara e a ação resultou na morte de sete pessoas, incluindo trabalhadores domésticos e um fotógrafo, além de danos materiais significativos.
Da investigação às evidências
A denúncia utiliza investigações de fontes abertas e relatórios de organizações internacionais. A Amnesty International aponta que quatro ataques israelenses precisam ser examinados como possíveis crimes de guerra, destacando a ausência de avisos prévios e a possível ausência de objetivos militares. O grupo Forensic Architecture reuniu imagens de satélite, testemunhos e vídeos para reconstruir a ofensiva e sustenta que o prédio parecia residencial e sem indicação de uso militar.
A defesa da ação internacionalmente reconhece violações do direito humanitário, com a coordenação da FIDH destacando a obrigação de distinguir objetivos militares de alvos civis. A mobilização judicial sinaliza que o sistema de justiça francês deve apurar as responsabilidades, especialmente em casos que envolvem propriedades destruídas ligadas a cidadãos franceses ou com dupla cidadania.
Impacto humano e desdobramentos
Entre as vítimas esteve Birki Negesa, trabalhador doméstico contratado pela família de Cherri, que chegou ao país recentemente. Também houve a morte de Mohamad Chehab, operador de drone e cinegrafista que colaborava com o artista; Chehab morreu em outro ataque próximo a Beirut, levando a queda de sua esposa, atualmente em condição crítica. Cherri afirma ter recebido inúmeras mensagens de famílias que sofreram perdas similares e que não têm acesso à justiça, ressaltando que o caso não se restringe à sua experiência pessoal.
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