O governo da Índia comunicou discreetamente a retirada de sua candidatura para sediar a COP33, marcada para 2028. A decisão, não anunciada publicamente, foi informada a países do grupo Ásia-Pacífico no início de abril, com justificativa de revisar compromissos para o ano.
A retirada abre um vácuo na governança climática e coloca em dúvida o protagonismo do Sul Global nas negociações internacionais. A Índia figura entre os maiores emissores mundiais e tem papel central na agenda climática global, defendendo responsabilidades diferenciadas para países ricos.
A decisão ocorre em meio a previsões de custos elevados para sediar o evento, pressões domésticas por energia e pobreza, além de prioridades estratégicas em um cenário geopolítico complexo. Especialistas veem a retirada como uma oportunidade perdida para reforçar liderança climática.
A Coreia do Sul teria sido cogitada como candidata, mas o governo sul-coreano afirmou não ter formalizado interesse, citando limitações de capacidade diante dos preparativos para o G20 em 2028. A indefinição volta o foco para negociações da ONU.
Para o Sul Global, a ausência da Índia pode reduzir o espaço para pautas como financiamento climático, perdas e danos, e acesso à energia. Analistas destacam que a escolha de sede tende a influenciar o equilíbrio de poder na agenda climática futura.
O que veio a seguir
Com a saída indiana, a definição do país anfitrião retorna ao estágio inicial dentro do grupo Ásia-Pacífico. A COP30, realizada no Brasil, já mostrou que avanços dependem de compromissos concretos, incluindo o fim gradual de combustíveis fósseis e combate ao desmatamento, reforçados por decisões que extrapolam o texto oficial da ONU.
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