O professor Leonardo Mattos, da Escola de Guerra Naval, afirmou em entrevista ao WW que EUA e Israel seguem objetivos distintos no conflito do Oriente Médio, o que pode complicar negociações para um cessar fogo. O comentário foi feito durante o WW, evento que acompanha desdobramentos regionais.
Para Israel, liderado por Netanyahu, a continuidade do confronto é apresentada como questão de sobrevivência política. Segundo o especialista, as necessidades estratégicas passam pela distância geográfica em relação ao Hezbollah e ao Irã, influenciando as decisões do governo.
Além disso, a conjuntura interna de Israel pesa. O governo enfrenta eleições em outubro e um processo judicial em andamento, o que, na visão de Mattos, tende a favorecer a permanência no conflito para ampliar margens políticas.
Divergência entre aliados
Enquanto Israel busca manter a pressão regional, os Estados Unidos, sob a gestão de Trump, teriam pressa em encerrar as hostilidades. O analista aponta que, para Washington, reduzir o tempo de conflito é prioritário, citando fatores como inflação e o posicionamento de popularidade do presidente.
Mattos destacou que os próximos passos dependem de negociações que serão comandadas pelo vice-presidente americano, com uma delegação que viajará ao Paquistão para iniciar tratativas, após alinhamento estratégico com Trump nos EUA.
O especialista concluiu que o cenário permanece desafiador. Netanyahu pode manter ações no Líbano, enquanto o Irã pressiona por interrupção dos ataques, o que dificulta consenso entre as partes antes das conversas, previstas para começar no Paquistão.
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