Pelo menos 12 pessoas morreram neste sábado (10) em ataques russos contra a cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia. Entre as vítimas estão três crianças.
“O balanço dos ataques aéreos em Zaporizhzhia continua aumentando. Até o momento, 12 civis morreram. Entre eles há três crianças”, afirmou o comandante da administração militar regional, Mikhailo Semikin.
Segundo ele, equipes de resgate continuam buscando sobreviventes entre os escombros dos prédios atingidos, horas depois do ataque contra a cidade, localizada a dezenas de quilômetros da linha de frente.
A polícia informou que a Rússia lançou cinco bombas contra bairros residenciais. Duas atingiram edifícios onde moravam civis.
O voluntário Daniil Pishkin, que chegou a um dos locais atingidos com uma equipe de resgate, relatou que encontrou pessoas presas sob os destroços.
“Vimos pessoas sob os escombros, uma mulher, o marido e uma criança”, disse à AFP. Duas pessoas foram retiradas com vida, mas, segundo ele, “infelizmente uma menina pequena morreu”.
Irina, de 69 anos, moradora de um dos prédios atingidos, afirmou que teve pouco tempo para buscar abrigo no banheiro após os alertas de bombardeio. Um casal de vizinhos, ambos de 75 anos, morreu após ser lançado para fora do prédio.
Today, Russia expressed its thanks for the lifting of sanctions on diesel exports by dropping five glide bombs on residential buildings in Zaporizhzhia. As of now, sadly, twelve people have been confirmed killed, including three children. My condolences to all their families and loved ones. Another fourteen people have been injured, and two of them are in critical condition – the doctors are fighting to save their lives. The status of twelve more people who may have been there is still being verified. All emergency services are at the scene, and search-and-rescue operations are underway. Overnight, thirteen of our regions came under attack. Residential buildings, infrastructure, and railway facilities have been damaged.
Last night confirmed once again that in Russia, they take any easing of pressure to mean they can keep fighting, to mean they can keep dropping bombs on cities. Different signals are needed. Russia must understand that it needs to stop the war, and for that to happen, Russia must feel its losses. Right now, it is our long-range capabilities that are ensuring this. And we will respond to Russian strikes. I thank everyone who is helping.
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) October 10, 2026
Rússia intensifica ataques
Nos últimos meses, a Rússia aumentou os ataques contra o território ucraniano, com crescimento no número de vítimas civis. A Ucrânia também ampliou ações de represália contra alvos em território russo.
As tentativas diplomáticas mediadas pelos Estados Unidos ainda não produziram um acordo. A guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, se aproxima de completar cinco anos.
Na sexta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. Após o contato, Trump anunciou um acordo para que Moscou forneça diesel aos mercados americano e internacional.
Segundo o presidente norte-americano, a Rússia enviará imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel e outras 500 mil toneladas em novembro.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, classificou o acordo como “indigno”.
A medida representa um alívio nas sanções contra a Rússia. A Alemanha afirmou neste sábado que continua trabalhando com a União Europeia para aplicar novas sanções contra Moscou.
EUA discutem desescalada
Segundo o Kremlin, o governo dos Estados Unidos também apresentou propostas para uma possível “desescalada” da guerra durante a conversa entre Trump e Putin.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Putin se mostrou receptivo a algumas das propostas, sem detalhar o conteúdo.
Ao mesmo tempo, o negociador norte-americano Steve Witkoff manteve conversas em Miami com representantes ucranianos. Ele classificou os encontros como “construtivos” e afirmou que foram discutidos temas como energia, exportação de grãos e garantias de segurança.
As reuniões também tiveram a participação de Jared Kushner, genro de Trump, além de integrantes do Conselho de Segurança Nacional, do Departamento do Tesouro, da equipe da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de um representante da Otan.
As negociações continuam esbarrando nas exigências territoriais da Rússia, especialmente no controle de toda a região do Donbass, no leste da Ucrânia. Zelensky mantém a posição de não ceder território.
Entre na conversa da comunidade