O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras, disse que o Irã pode utilizar o controle do Estreito de Ormuz até o limite para pressionar negociações de paz. A declaração foi publicada pelo Valor Econômico em 10 de abril de 2026.
De acordo com Veras, o enfraquecimento militar do Irã após ataques dos EUA e de Israel restringe a capacidade de uso da força, tornando o estreito a principal alavanca de barganha do regime. O diplomata afirmou que o país sabe que pode impactar o comércio mundial de energia.
O embaixador explicou que o objetivo passa por obter garantias econômicas e de segurança, não abrindo mão de benefícios que assegurem sustento econômico e defesa militar ao país. Estudos indicam potencial de receitas caso haja cobrança de taxas sobre navios que cruzem o estreito.
Sanções e compensações também entram na pauta. Veras afirmou que, segundo o Irã, a suspensão de sanções é essencial, além de buscar compensações pelos danos causados na guerra. A ideia é repassar esses custos para terceiros por meio de negociações.
Sobre programa nuclear e apoio a grupos, o embaixador afirmou que o Irã não deve abrir mão do uso pacífico da tecnologia nuclear. Em relação a Hezbollah e Hamas, o governo iraniano nega controle direto sobre tais grupos.
Estrutura do poder e dissidências internas
Veras afirmou que podem existir vozes dissidentes dentro do regime, mas que há clareza institucional. O líder supremo comanda as diretrizes, com decisões executadas por órgãos definidos na Constituição.
Reação interna também foi mencionada. Segundo o embaixador, a guerra elevou o apoio popular ao governo diante de ameaças externas, com manifestações públicas em Teerã em defesa do país.
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