O cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos, com liderança do presidente Donald Trump, traz trégua inicial de 10 dias entre Israel e Hezbollah. O acordo começa à meia-noite em Beirute, e visa interromper seis semanas de confrontos que deixaram milhares de mortos e desalojados.
Nesta sexta-feira, moradores comemoraram em Beirute e nas estradas para o sul do Líbano, região controlada pelo Hezbollah. Famílias voltavam aos deslocados, alguns com colchões empilhados nos carros e motos. Milhares ainda não sabem se retornarão.
O Líbano registra mais de 2.100 mortes e mais de um milhão de pessoas deslocadas, segundo autoridades de saúde. A crise humanitária é agravada pela destruição de infraestrutura e casas, especialmente nas áreas próximas à fronteira com Israel.
Desafios e perguntas do cessar-fogo
O acordo não prevê a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, o que alimenta temores de ocupação contínua mesmo após o fim do conflito. Autoridades israelenses destacam a criação de uma zona de segurança, o que limitaria o retorno de moradores às áreas afetadas.
A questão das armas de Hezbollah também permanece sem solução. Países como EUA e Israel pressionam pelo desarmamento, que encontra resistência do grupo, que afirma ter papel de defesa do Estado libanês em meio à fragilidade do governo.
O governo libanês tem influência limitada sobre Hezbollah. O presidente Michel Aoun afirma que a desarmonia não pode ocorrer à força, o que exigiria negociação com o grupo. Analistas apontam que decisões sobre as armas devem passar por Teerã.
Caso o cessar-fogo se mantenha, há expectativa de que seja iniciado um processo mais amplo de normalização entre Israel e Líbano, assunto sensível e politicamente contencioso no país. As partes permanecem em estado de guerra técnico desde 1948.
O acordo, anunciado como possível passo, encontra obstáculos imprevisíveis. Como ficam as áreas ocupadas e a relação entre Hezbollah e o Irã vão determinar a continuidade ou ruptura do caminho para a paz na região.
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