Dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas de Paris e de outras cidades francesas nesta quinta-feira (8) para protestar contra as condições de ensino nas escolas. Os estudantes denunciam a falta de substitutos para professores ausentes, a carga horária excessiva e o estado precário das salas de aula, que, segundo eles, não estão preparadas para o aumento das temperaturas.
Segundo o Ministério do Interior, 71,5 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país nesta quinta, e mais de 500 foram detidas pela polícia. Cerca de 55 mil manifestantes se concentraram em ações em frente às escolas, enquanto os demais aderiram às passeatas.
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Na capital, dezenas de jovens escalaram o monumento no centro da Praça da Bastilha, alguns agitando a bandeira francesa e cantando o hino nacional. A polícia dispersou o grupo com avanços sobre os manifestantes e gás lacrimogêneo.
Sentado no teto de um ponto de ônibus, com as pernas para fora, um estudante segurava um cartaz com a frase “Motivo da falta: ocupado demais lutando por nosso futuro”.
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Organizações estudantis e sindicatos convocaram uma nova grande manifestação para 13 de outubro, por considerarem insuficientes as respostas do governo francês às reivindicações por medidas concretas que melhorem o aprendizado no ensino médio.
“Enquanto não houver 10 bilhões [de euros, R$ 56 bilhões] em cima da mesa, seguiremos nos mobilizando”, declarou Sabrine Kharbach, porta-voz da Union Étudiante, ao divulgar a nova data de atos e greve e pedir uma adesão em massa.
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Mobilizados desde o fim de setembro, os secundaristas, em sua maioria com idades entre 15 e 18 anos, também reivindicam mudanças na etapa final do ensino médio e a suspensão ou reformulação do Parcoursup, plataforma de acesso ao ensino superior que classificam como pouco transparente.
Os protestos de terça-feira (6) reuniram entre 266 mil e 450 mil pessoas.
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Na noite de quarta-feira (7), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, de centro-direita, afirmou que “ninguém pode ficar indiferente diante das angústias expressas” pelos estudantes. Ele, porém, não anunciou medidas concretas e deixou as “primeiras decisões” para “o final de outubro”.
O ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, recebeu nesta quinta representantes das três principais entidades estudantis e deve divulgar à noite parte de seu “plano de urgência”, voltado a uma das demandas do movimento, a reposição de professores ausentes.
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A onda de protestos ocorre num momento delicado para o governo, que tenta aprovar no Parlamento um Orçamento de 2027 com forte ajuste fiscal, para conter o déficit elevado e a dívida pública, que está em nível recorde.
A França também escolhe no ano que vem o sucessor do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita. Favorita nas pesquisas, a ultradireitista Marine Le Pen acusou Macron de se colocar “sempre do lado daqueles que atacam a polícia”.
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