Mirando fortalecer laços econômicos e políticos com o Brasil, o governo alemão recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Hannover, neste domingo. O protocolo foi de alta cerimônia, com honra militar, no palácio Herrenhausen, tradicional residência real. A visita ocorre em meio a instabilidade global e expectativas sobre o Mercosul-UE.
Lula chegou acompanhado de ministros a Hannover, para a abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, onde o Brasil participa como país parceiro. A agenda inclui encontros com o chanceler Friedrich Merz, visitas à feira e reuniões com empresários de ambos os países. O roteiro prevê ainda viagem a Wolfsburg, sede da Volkswagen.
A parceria entre Brasil e Alemanha é apresentada como estratégica diante de choques econômicos globais. O governo alemão vê potencial para ampliar o comércio e a cooperação tecnológica, especialmente com o Mercosul-UE prestes a entrar em vigor de forma provisória no início de maio.
Mercosul-UE e liderança bilateral
Durante a cerimônia de abertura da Hannover Messe, Merz enalteceu a ligação com o Brasil e destacou que o acordo Mercosul-UE pode reduzir tarifas e ampliar fluxos comerciais entre os dois lados. Lula reforçou a importância de avanços consistentes para a economia brasileira e europeia.
O encontro entre Lula e Merz já é o terceiro desde 2023, fortalecendo o contato diplomático fora de cúpulas. Além dos encontros oficiais, a agenda inclui um jantar privado no Herrenhausen e participação de ambos em atividades da feira ao lado de parceiros empresariais.
Fórum com empresários e bloco industrial
A programação da viagem contempla ainda um fórum com empresários brasileiros e alemães, além de encontros com ministros alemães. O objetivo é ampliar o intercâmbio econômico e discutir setores produtivos, inovação e infraestrutura.
Na esfera externa, Lula mencionou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, apontando a importância de um órgão mais representativo. Merz, por sua vez, destacou a cooperação com menos tarifas como alavanca de segurança econômica entre a Europa e a América do Sul.
Dados econômicos entre Brasil e Alemanha
A Alemanha é a quarta parceira comercial do Brasil e a maior entre os países da Europa, com comércio de aproximadamente 20,9 bilhões de dólares em 2025. O Brasil exporta principalmente produtos primários; importações alemãs concentram-se em itens industrializados. Lula ressaltou a busca por equilíbrio na balança comercial.
A visita ocorre em um momento de investimento e de maior diálogo estratégico entre as duas nações, em meio a tensões e incertezas globais. O olhar está voltado para o impacto do acordo Mercosul-UE e para o papel da Alemanha como accesso a mercados globais para o Brasil.
Entre na conversa da comunidade