A notícia analisada revela que a maior parte dos chifres de rinoceronte traficados na China tem origem na África Austral. A investigação, conduzida por uma ONG britânica, analisou 258 casos judiciais entre 2013 e outubro de 2025, registrados no China Judgments Online. As autoridades apreenderam 700 kg de chifres nesse período.
Segundo o estudo, 512 criminosos foram presos e receberam penas médias de 4,5 anos, com multas que giram em torno de 92 mil yuans. A maioria das apreensões envolveu quantias inferiores a 10 kg de chifre por operação, destacando o papel de mercados menores e de redes transnacionais.
A China permanece como o maior mercado consumidor, mas há lacunas de dados sobre o comércio interno. O relatório aponta que a base de dados de julgamentos não cobre Hong Kong e Macau, nem casos não levados a tribunal, limitando a visão do fluxo doméstico.
Tráfego e rotas para a China
As evidências indicam rotas complexas que conectam a África, o Sudeste Asiático e grandes cidades chinesas. Todos os chifres apreendidos vinham de África, com o sul africano e Moçambique como principais pontos de origem e trânsito. Hong Kong aparece como hub de trânsito em mais da metade dos casos.
Entre as espécies, os chifres de rinoceronte branco do sul representam a maior parte das apreensões. Os chifres de rinoceronte preto, que já estão criticamente ameaçados, também aparecem, mas em menor escala. O foco do comércio gira em torno de produtos trabalhados, como peças de joalheria e itens de arte, além de chifre em estado granular.
Perspectivas e medidas
A pesquisa recomenda ações coordenadas entre autoridades e países de origem e destino, com ênfase em inteligência de campo, combate à corrupção e maior compartilhamento de informações. A inclusão de amostras nos bancos forenses, como o RhODIS, é citada como ferramenta para identificar origens dos chifres apreendidos.
Especialistas destacam que mudanças regulatórias, inclusive no comércio potencial de chifre proveniente de rinocerontes criados em cativeiro, podem aumentar a demanda e ampliar a pressão sobre populações selvagens. A cooperação internacional é apresentada como essencial para reduzir o tráfico.
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