Petro Hurin, 76, integrou a equipe de liquidadores enviados à zona de exclusão de Chernobyl após o desastre de 1986. Ele afirma que a saúde nunca voltou ao normal desde então, lembrando as condições extremas vividas na época.
O trabalho ocorreu na usina nuclear da Ucrânia, no reator 4, e envolveu a construção de um grande sarcófago para conter a radiação. A tarefa exigiu turnos longos e operação de máquinas pesadas sob poeira tóxica.
Hurin fazia parte de uma empresa de equipamentos de construção que levou 40 trabalhadores à área. Vários colegas da mesma equipe não sobreviveram aos efeitos da radiação com o passar dos anos.
Logo após o acidente, em 26 de abril de 1986, dezenas de operários morreram por doenças relacionadas à radiação. Milhares de pessoas apresentaram doenças crônicas nos anos seguintes, com debates sobre números oficiais.
Ele relata que, nos primeiros dias, a poeira era intensa e o uso de respiradores era insuficiente. Ao longo dos dias, surgiram fortes dores, sangramentos e um gosto metálico na boca, sinais que ele atribui à radiação.
Os médicos da época não reconheciam oficialmente a doença associada à radiação. Hurin foi diagnosticado com distonia vegetativa-vascular, anemia e pancreatite, entre outras condições, e precisou de meses de tratamento hospitalar.
Hoje, Hurin vive na região de Cherkasy, com a esposa. Apesar das mazelas, ele mantém atividades como tocar bayan, compondo músicas e poemas, e luta por uma pensão especial de invalidez para os liquidadores.
Além da memória do desastre, a vida dele foi marcada pela invasão russa da Ucrânia em 2022. O neto, Andrii Vorobkalo, morto em combate aos 26 anos, é lembrado em memorial próximo a Kholodnyi Yar, onde a família costuma homenagear o jovem.
Enquanto a família cuida da memória de Andrii, Hurin continua recebendo apoio limitado para a saúde e pensões, conforme relatos à Reuters. A história ressalta as consequências de décadas de exposição à radiação na região.
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