Asim Munir, chefe do Estado-M maior do Paquistão, atua como mediador incomum em uma tentativa de acordo entre EUA e Irã. O marechal de campo, ex-chefe de espionagem, passou dias em Teerã e controlou reuniões com líderes iranianos, forças de segurança e a Guarda Revolucionária, usando gravatas e uniformes conforme a ocasião.
Segundo fontes próximas ao alto escalão paquistanês, Munir cultivou uma relação pessoal com o presidente americano Donald Trump e com o premiê paquistanês. O Paquistão ampliou laços com Teerã por meio de acordos envolvendo minerais, criptomoedas e imóveis, ampliando o papel regional em negociações complexas.
Munir chegou a manter contato com a Casa Branca por telefone neste mês e realizou visitas a Teerã para consultar diplomatas e militares. A abordagem doPaquistão envolve um “produto” de mediação que busca incluir o aparato militar iraniano na discussão, segundo especialistas.
As dificuldades surgiram quando o Irã relutou em retornar a Islamabad para conversas com os EUA, após Washington manter o bloqueio naval aos portos iranianos. A persistência de Trump em manter restrições complicou o avanço, assim como a exigência iraniana de manter voz própria nas negociações do estreito de Hormuz.
Para avaliar o andamento, autoridades paquistanesas destacam que Munir precisa equilibrar a fé de Teerã na neutralidade de Islamabad com a desconfiança de Washington diante da relação do Paquistão com EUA e Arábia Saudita. Analistas ressaltam que o processo carece de garantias sobre o comportamento de terceiros.
O contexto regional envolve histórico de desconfianças e mudanças de estratégia. Enquanto o Paquistão busca manter influência útil, Teerã teme que negociações sob pressão resultem em retaliação ou que o acordo não avance como desejado. O cenário segue em evolução, sem conclusão anunciada.
Entre na conversa da comunidade