O Itamaraty e auxiliares do presidente Lula veem a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho como uma ação unilateral dos EUA que não deve atrapalhar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos, retomado desde setembro do ano passado. A avaliação é de que há várias facções políticas atuando dentro do Departamento de Estado.
Integrantes da diplomacia brasileira destacam que uma ala pragmática da política externa americana busca manter negociações estáveis com o governo brasileiro, especialmente por interesses econômicos ligados a minerais críticos do Brasil. Esse grupo é visto como mais alinhado com o andamento das relações bilaterais.
Por outro lado, há uma leitura sobre uma ala mais ligada à direita brasileira e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo as fontes, atuaria para influenciar decisões com impacto diplomático. Entre os exemplos citados está a atuação de setores que favoreceram ações de soltura de outros políticos.
O governo brasileiro estaria atento a essas dinâmicas, mantendo cautela para não interpretar decisões americanas como reflexo de uma visão única da administração norte-americana. A ideia é evitar rupturas no processo de cooperação que envolve áreas como comércio, defesa e cooperação técnica.
Marcelo Ivo de Carvalho chegou ao Brasil nesta quarta-feira pela manhã, em voo comercial. A instituição não confirmou detalhes sobre o caso ou sobre o momento de retorno do delegado. As informações sobre a posição do governo dos EUA foram veiculadas por fontes oficiais ligadas ao Itamaraty.
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