O relacionamento entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a administração de Donald Trump ficou mais tenso em abril. O atrito começou com a expulsão de agentes federais dos EUA e evoluiu para críticas públicas de Washington ao Brasil, afetando a cooperação diplomática e econômica entre os dois países.
O estopim ocorreu quando o governo brasileiro expulsou do Brasil Marcelo Ivo de Carvalho, delegado ligado à imigração. O único objetivo alegado pela operação foi coibir ações consideradas manipulações do sistema de imigração. Em retaliação, o governo Lula afastou um adido da Polícia de Imigração dos EUA (ICE) que atuava no Brasil, aplicando o princípio da reciprocidade.
Contexto e críticas de Washington
Órgãos oficiais e legislativos dos EUA, na conjuntura em que o poder é controlado por republicanos, apontam censura e perseguição política no Brasil. Um relatório do Comitê Judiciário da Câmara sinalizou suposta “guerra jurídica” do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para silenciar opositores, gerando preocupação no Departamento de Estado.
Na área comercial, o intercâmbio entre os dois países passou a enfrentar tensões. O governo americano impôs, sob a justificativa de proteção de mercados, um tarifão de 50% sobre diversas importações brasileiras. Investigações sobre o Pix e questões de pirataria também foram alvo de escrutínio, enquanto ajustes sazonais aliviavam rapidamente tarifas em carnes e café, temporariamente.
Sanções e impactos possíveis
A Lei Magnitsky, instrumento dos EUA para punir violações de direitos humanos e corrupção, já foi usada para restringir entradas de autoridades brasileiras no passado. Embora algumas sanções tenham sido retiradas, o tema reapareceu com relatos de novos vetos a ex-integrantes do governo Dilma Rousseff.
Especialistas consideram improvável uma ruptura total na relação, por causa da interdependência econômica. O cenário atual é visto como contenção pragmática, com atritos retóricos que podem aumentar nos próximos meses. O governo Lula prioriza soberania nacional, enquanto a oposição busca apoio externo para questionar decisões internas.
Conteúdo baseado em apurações da Gazeta do Povo. Para mais detalhes, consulte a íntegra da reportagem.
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