Volodymyr Zelensky afirmou à CNN que a guerra no Irã desvia o foco da agressão da Rússia contra a Ucrânia, representando um grande risco se não houver retomada dos esforços para encerrar o combate no país vizinho. O presidente explicou que não vê oportunidade de reunião enquanto a questão iraniana não for encerrada.
A entrevista foi realizada no gabinete presidencial em Kiev, com a jornalista Christiane Amanpour. Zelensky informou que conversas técnicas com os Estados Unidos seguem, mas que não deverá haver encontro enquanto a crise no Irã não for solucionada.
Ele destacou o desafio de a mesma equipe de negotiadores dos EUA conduzir as negociações sobre os dois temas, Irã e Ucrânia, o que pode comprometer o andamento de ambas as frentes. O presidente reforçou que a Ucrânia não pode ficar em segundo plano.
Em relação ao envio de armas, Zelensky afirmou que a guerra interrompeu parte do fornecimento de armamentos, especialmente mísseis antibalísticos, por limitações de produção nos EUA. O país relatou dificuldades para manter o ritmo de fabricação necessário.
Questão de sobrevivência
Poucas horas depois da aprovação pela UE de um empréstimo de 90 bilhões de euros, Zelensky disse que o financiamento é vital para a Ucrânia. O acordo ocorreu após atraso provocado por resistências políticas na Hungria.
A decisão de liberar o crédito ocorreu após a derrota eleitoral do premiê Viktor Orbán, o que facilitou a aprovação do pacote. No mesmo dia, o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba, ligando Rússia e Europa, foi retomado via Ucrânia.
Segundo Zelensky, sem os fundos, a Ucrânia enfrentava dificuldades para sustentar a produção de armas. Ele citou a produção de interceptores de drones, com capacidade atual de cerca de mil unidades por dia, em comparação com uma meta de 2 mil diárias.
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