Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru entregaram as cartas de demissão nesta quarta-feira, 22, após o presidente interino adiar a compra de caças F-16 da Lockheed Martin para o próximo governo. O acordo envolve US$ 3,5 bilhões.
Balcázar já havia afirmado que, como líder interino, não possui legitimidade para selar o negócio e que a decisão deveria ficar para o presidente eleito no segundo turno. A medida foi anunciada pouco antes de a Câmara retomar o tema.
O embaixador dos EUA, Bernie Navarro, reagiu, dizendo que o Peru não pode negociar de má-fé, sob pena de adotar medidas para proteger interesses americanos. Não foram divulgados detalhes adicionais sobre a posição norte-americana.
Demissões e próximos passos
Carlos Díaz, ministro da Defesa, e Hugo de Zela, ministro das Relações Exteriores, apresentaram seus pedidos de afastamento. Em nota, Díaz afirmou que a assinatura do contrato ocorreu por funcionários do ministério, mesmo sem aprovação do chefe do Estado.
De Zela acusou Balcázar de enganar o público sobre o contrato. Díaz ressaltou que aspectos do acordo permanecem confidenciais devido à sua natureza sigilosa, o que dificultou o entendimento público.
Contexto do negócio e cenário político
Em 2024, o governo anterior havia anunciado a alocação de US$ 3,5 bilhões para 24 caças. Além da Lockheed Martin, participaram propostas Saab e Dassault Aviation. O Peru realiza segundo turno das eleições presidenciais em 7 de junho.
O país elegeu Balcázar como presidente interino em fevereiro de 2026, após destituição de um líder anterior por denúncias de corrupção. Voto em segundo turno ainda está em curso, com resultados pendentes de validação.
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