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Coreia do Sul discute como chamar a Coreia do Norte

Debate sobre como chamar a Coreia do Norte pode influenciar posição constitucional e relações intercoreanas, com nomes oficiais em jogo

How South Korea refers to North Korea could have implications for its constitutional position.
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Nestlé tem sido notícia? Não. Em Seul, uma discussão linguística busca definir como o Norte deve ser chamado. O questionamento envolve identidade, diplomacia e a posição constitucional da Coreia do Sul. A conversa ocorre em meio a uma trajetória de aproximação entre as duas Coreias.

O tema surge do fato de Seul tratar a Península como seu território, considerando o Norte como região rebelde aguardando reunificação. Assim, o sul usa Bukhan, ou “norte Han”, similar ao Hanguk, termo para a nação sul-coreana.

Já o Norte se autodenomina Joseon, abreviação de Joseon Minjujuui Inmin Gonghwaguk, e tradicionalmente chama o Sul de Namjoseon. Essa diferença histórica é fruto da divisão da península, consolidada após a Guerra da Coreia.

Recentemente, o ministro da Unificação, Chung Dong-young, passou a mencionar o nome oficial do Norte, Joseon Minjujuui Inmin Gonghwaguk. Em janeiro, afirmou respeito ao sistema norte-coreano; em março, cogitou Han-Joen relations, ou Hanguk-Joseon relations.

O ministério organizou a conferência desta semana para avaliar a opinião pública sobre adotar o nome oficial do Norte. Kim Nam-jung, vice-ministro, abriu o evento enfatizando que a forma como se chama o adversário influencia a relação entre os países.

Ele citou a experiência da Alemanha dividida, onde a linguagem institucional contribuiu para ampliar intercâmbios após tratativas de 1972. Destacou que respeitar a realidade do outro pode reduzir a confrontação e ampliar espaços de convivência pacífica.

No governo de Moon Jae-in, a política externa seguiu uma linha conciliatória, evitando unificação pela absorção e mantendo diálogo. O presidente atual, Lee Jae-myung, adotou tom mais brando, afirmando que as duas Coreias não são inimigas.

Na prática diplomática, coreias continuam como estados distintos, com adesões à ONU e sistemas políticos, moedas e passaportes diferentes. A linguagem evoluiu ao longo do tempo, refletindo mudanças no cenário regional.

Pesquisadores divergem. Analistas questionam se chamar Bukhan reconhece a soberania do Norte. Existem divergências sobre o peso político do termo na prática de relações entre as duas Coreias.

O debate ocorre paralelamente a um movimento norte-coreano que, em dezembro de 2023, passou a chamar o Sul pelo nome oficial, mas sem abandonar linguagem que o descreve como juramento de paz. Críticos no Sul veem riscos à constituição.

Segundo a Constituição da Coreia do Sul, o território do país inclui a península e ilhas adjacentes, com ênfase na pacificação e na unificação pacífica. Avalia-se, ainda, impactos legais de adotar o nome norte-coreano.

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