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Pressionado pela Suprema Corte, líder árabe abandona eleição em Israel

É a primeira votação para o Parlamento desde o ataque do Hamas, que candidato classificou como "importante evento histórico"

Homem calvo, de óculos de armação escura, terno azul-marinho, camisa branca e gravata azul-clara, posando de mãos dadas à frente do corpo, sobre fundo branco.
Sami Abu Shehadeh retirou a candidatura às eleições israelenses (Crédito: Amir Deeb/Wikimedia Commons)

O líder de um partido árabe de esquerda retirou sua candidatura às eleições legislativas de Israel depois que a Suprema Corte sinalizou que ele provavelmente seria desqualificado. O motivo é um artigo em que ele classificou os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 como um “importante evento histórico”.

Sami Abu Shehadeh nega que a declaração represente apoio à ofensiva, na qual combatentes mataram 1.200 pessoas e levaram 251 reféns para Gaza, no dia mais letal da história israelense. O episódio desencadeou a reação de Israel, que deixou cerca de 74.000 palestinos mortos.

A Comissão Eleitoral Central de Israel havia tentado barrar a candidatura dele e a de Ofer Cassif, deputado judeu comunista que defende as causas palestinas. O órgão também queria impedir a participação de quatro partidos que pretendiam representar a minoria árabe, equivalente a 20% da população.

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Nesta sexta-feira (2), a Corte derrubou os demais vetos, mas indicou que a maioria dos juízes tenderia a manter a proibição contra Abu Shehadeh. Com a desistência dele, o julgamento não precisou ser concluído. Segundo o tribunal, os magistrados consideraram por unanimidade que as falas dele foram “dolorosas, perturbadoras e repugnantes”.

Abu Shehadeh afirmou à Reuters que a decisão mostra que “no Estado judeu, existem duas leis diferentes para os cidadãos, de acordo com sua identidade”. Ele argumentou que políticos da extrema direita judaica puderam concorrer mesmo após comentários que, na avaliação dele, configuram discurso de ódio contra palestinos.

“As margens para a atividade política e para a liberdade de expressão da minoria árabe-palestina em Israel estão se tornando cada vez mais estreitas”, declarou.

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O ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, da extrema direita, obteve autorização para concorrer, embora já tenha sido condenado por incitação ao ódio racial. Ele disse que seu movimento, o Poder Judaico, havia “conseguido afastar Sami Abu Shehadeh e impedi-lo de entrar no Knesset”, o Parlamento israelense.

“Não permitiremos que apoiadores do terrorismo e aqueles que exaltam mártires atuem livremente no Knesset de Israel”, acrescentou.

Marcada para 27 de outubro, a eleição será a primeira no país desde o ataque do Hamas e a guerra em Gaza que veio em seguida. A coalizão de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu usou imagens de líderes de partidos árabes em peças de campanha, estratégia que, para críticos, demoniza os árabes israelenses para conseguir votos.

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Em publicação irônica no X, Gadi Eisenkot, um dos principais adversários de Netanyahu, lamentou a desqualificação do “aliado” do premiê. Segundo opositores, a provocação faz referência ao uso do medo em relação aos árabes israelenses na campanha do primeiro-ministro.

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