A rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreu nesta quarta-feira, 29, no Senado Federal. A indicação já tinha passado pela CCJ, mas foi derrotada no plenário por 42 votos contrários e 34 favoráveis. O episódio é visto como inédito desde a redemocratização.
A imprensa internacional classificou o resultado como uma derrota histórica para o governo do presidente Lula. O El País destacou o desgaste na relação entre o governo e o Senado, e questionou a capacidade de Lula de articular apoio político.
Reação internacional
A agência Associated Press, reproduzida pelo The Washington Post, apontou fragilidade de popularidade de Lula e chamou o movimento de um golpe político dos parlamentares. A reportagem mencionou desagrado entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia outro nome.
Na Argentina, o Clarín descreveu o desfecho como derrota para Lula e vitória da oposição, citando Flávio Bolsonaro como figura central nesse cenário. Também sinalizou a necessidade de apresentar novo nome para a vaga.
Análise de conjuntura
A Bloomberg lembrou que Messias fazia parte de uma estratégia de diálogo com grupos religiosos para ampliar o apoio político. A matéria associou o fortalecimento de apoiadores de Bolsonaro a fatores que contribuíram para o resultado, destacando o poder do Senado de destituir membros da corte.
A Reuters destacou um esforço de lobby sem precedentes do governo para viabilizar a aprovação. Em semanas recentes, a equipe de Lula buscou apoio de senadores de diferentes espectros, alegando que Messias poderia ajudar a reduzir tensões entre Congresso e STF.
Desdobramentos políticos
Segundo o Estadão, a aposta por sinais de viabilidade levou o governo a acelerar negociações de emendas e cargos. No total desde o início do ano, foram liberados R$ 12,7 bilhões. A maior parcela seguiu para deputados, com R$ 9,3 bilhões, seguido por senadores, estados e comissões.
Essa movimentação ocorreu principalmente nas duas semanas anteriores à votação, à medida que o governo tentava mitigar resistências no Senado. A rejeição de Messias amplia a dificuldade de o Planalto consolidar apoio para mudanças na Suprema Corte.
Contexto institucional
A indicação de Messias para o STF foi uma tentativa de preencher vaga aberta. O desfecho ressalta a tensão entre o governo e o Congresso, e pode influenciar a relação entre o Executivo e as instituições do judiciário. O Senado não confirmou o nome, mantendo a disputa institucional em foco.
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