Protestos na Bolívia ganham força enquanto o governo de Rodrigo Paz encara resistência social e fragilidade econômica. Marchas de transportadores, mineiros, camponeses e professores ocorrem em meio a uma semana de agitação, a poucos meses de completar seis meses no cargo.
O governo não apresenta soluções rápidas. A COB, principal sindicato, rejeitou a mesa de diálogo proposta, afirmando que foi apresentada tarde. Um conselho aberto em El Alto definiria novas medidas de pressão para sexta-feira.
A mobilização envolve setores diversos e cresce com o levantamento de demandas por reajuste salarial e recuperação do poder de compra diante da inflação. Em março, a COB pediu aumento de 20% no salário básico, pedido rejeitado pelo governo.
Diálogo, economia e governabilidade
A economia boliviana vive recessão, com inflação elevada e déficits em perspectivas. Dados oficiais apontam queda do PIB em 2025 e projeções de 2026 com desafios fiscais e monetários.
Especialistas dizem que Paz não articulou alianças fortes com sindicatos nem com o Legislativo, o que aumenta a vulnerabilidade política. A gestão permanece sob pressão para sair da distância da rua.
O país registrou 176 eventos de conflito no primeiro trimestre de 2026, segundo a Defensoria do Povo, elevando a necessidade de diálogo social para reduzir tensões.
Cenário institucional e econômica
Paz herdou uma crise de divisas e combustível, com projeções governamentais para 2026 menos otimistas que as de organismos internacionais. Houve renovação de crença de que reformas são urgentes para sustentar a estabilidade.
Discussões sobre a distribuição de receitas entre governo central e regiões foram citadas como prioridade de curto prazo. Governadores eleitos já participaram de encontros para discutir reformas.
A relação entre Paz e o vice-presidente Edman Lara se mantém distante, após rompimento precoce do vínculo político. A oposição não é hegemônica, mas aposta em fraturas para reduzir o apoio ao governo.
Olhando para frente
Para analistas, o desfecho depende da capacidade de o governo dialogar com diferentes atores e de anunciar medidas que deem resposta às demandas da população. A sexta-feira pode marcar o tom das próximas semanas.
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