Brasil e China firmaram em 2024 um acordo de cooperação cultural, durante a visita de Xi Jinping a Brasília. O pacto, vigente em 2026, celebra os 50 anos de relações diplomáticas e cria o Ano Cultural entre os dois países.
O objetivo é ampliar a cooperação para além do comércio e da política. Especialistas apontam que não há um plano sólido de trocas culturais, e a celebração demonstra lacunas nesse campo.
Para a ministra Margareth Menezes, a iniciativa envolve mais que intercâmbio artístico: é uma estratégia de governo para explorar novos mercados e fomentar a economia criativa. Ela destacou experiências em Pequim e Shanghai.
Menezes se reuniu com o ministro chinês Sun Yeli, discutindo formas de cooperação bilateral, como turismo e intercâmbio cultural. O encontro foi divulgado pelo governo brasileiro.
Acordo e atividades
O acordo prevê um calendário de apresentações musicais, audiovisuais, artes cênicas, além de lançamentos de livros e exposições de artes plásticas. A iniciativa busca consolidar cultura como ativo de soberania e projeção internacional.
Um marco importante foi a tradução para o mandarim de O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, lançado na China. Em abril, o longa O Agente Secreto, com Wagner Moura, estreou na China como parte do acordo.
As produções voltaram o foco para o público chinês, com shows brasileiros em Pequim que atraíram grande presença local. Artistas como Luedji Luna serviram de exemplo para esse público-alvo.
Maurício Santoro, pesquisador de relações internacionais, afirma que a agenda cultural entre Brasil e China ficou aquém do potencial ao longo de cinco décadas. Ele aponta falta de políticas públicas mais sistemáticas e constantes para o diálogo cultural.
Para o especialista, há nutrição econômica na cooperação, mas pouca continuidade em áreas como literatura, cinema e artes plásticas. Ele ressalta que, em geral, não há prioridade política explícita ao tema.
Entre na conversa da comunidade