As tensões no Estreito de Ormuz se intensificaram, colocando em risco a trégua anunciada por Donald Trump. O governo americano afirmou ter destruído seis navios iranianos e interceptado mísseis e drones, em resposta a supostos ataques contra embarcações da Marinha e navios comerciais. Teerã negou parte das acusações e disse ter feito disparos de advertência.
A Marinha do Irã admitiu disparos de advertência contra navios norte-americanos que teriam entrado no estreito, um corredor estratégico para o comércio mundial. Em paralelo, Emirados Árabes Unidos acusaram Teerã de lançar quatro drones, 12 mísseis balísticos e três de cruzeiro contra território árabe. Caso confirmado, seria o primeiro ataque iraniano desde o início da trégua, em 8 de abril.
Trump, em suas redes sociais, afirmou que os EUA guiariam navios pelo Estreito de Ormuz e sugeriu cooperação com a Coreia do Sul. O presidente afirmou que apenas um navio sul-coreano sofreu danos e que a região vive momento de tensão com possibilidade de escalada.
Análise de especialistas
Brad Martin, capitão aposentado da Marinha dos EUA e pesquisador da Rand Corporation, disse ao Correio que ambos os lados podem usar a força para controlar o estreito. Ele aponta que o cessar-fogo é frágil e que navios mercantes podem evitar o tráfego independentemente das declarações.
Eugene Gholz, professor da Universidade de Notre Dame, afirmou que o conflito permanece ativo, mesmo com o cessar-fogo parcial. Segundo ele, o bloqueio continua como instrumento de pressão, elevando o risco de novas escaladas caso haja ataques. A avaliação é de que a situação demanda cautela de navios comerciais e governos.
Perspectivas
Gholz ressaltou que a mudança de status quo, com a orientação de passagem de navios pelos EUA, pode gerar resposta iraniana. Ele citou a dificuldade de confirmar ataques reais, dadas fontes divergentes, e advertiu que a região pode oscilar entre contenção e nova escalada, dependendo das decisões militares e de navegação.
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