O Conselho de Segurança da ONU iniciará negociações nesta terça-feira sobre um projeto de resolução apoiado pelos EUA e pelo Bahrein. A proposta pode levar a sanções contra o Irã e, em caso de não interrupção de ataques, autorizar o uso da força, visando reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica de energia e comércio.
Diplomatas ocidentais afirmam que a ofensiva busca pressionar Teerã diplomaticamente, em meio a novas hostilidades que incluem ataques a navios e ao porto de combustível dos Emirados Árabes, após o lançamento do chamado Projeto Liberdade pelos Estados Unidos. A situação agrava uma trégua fragilizada de quatro semanas.
A etapa no Conselho ocorre enquanto Washington divulga planos para uma coalizão marítima multinacional, o Maritime Freedom Construct (MFC), para estruturar a segurança pós-conflito no Oriente Médio e facilitar a reabertura de Ormuz quando as condições se estabilizarem.
Teor da resolução
A proposta evita linguagem que autorize explicitamente o uso da força, ainda que permaneça sob o Capítulo VII da Carta da ONU. O texto condena violações iranianas do cessar-fogo e ações para interferir na navegação pelo estreito, incluindo a possível colocação de minas, e exige cessar ataques e revelar minas.
O documento convoca Teerã a cooperar com esforços da ONU para estabelecer um corredor humanitário pelo Estreito, diante de interrupções no fornecimento de ajuda e insumos. O secretário-geral deverá apresentar relatório em até 30 dias sobre o cumprimento das medidas.
Diplomatas destacam que, se o Irã não cumprir, o Conselho poderá considerar novas sanções em sessões subsequentes. A expectativa é ter um texto final pronto para votação no início da próxima semana, com divergências entre EUA, Rússia e China ainda em análise.
Missão franco-britânica
Paralelamente, a ideia do MFC envolve coordenação com uma missão marítima franco-britânica, com participação de cerca de 30 países. O objetivo é estabelecer um trânsito seguro por Ormuz após a estabilização da situação, com eventual envio de mandato da ONU.
Alguns governos destacam a necessidade de mandato internacional para qualquer ação militar. O MFC seria complementar a forças-tarefa já existentes, incluindo iniciativas de planejamento marítimo lideradas pelo Reino Unido e pela França, e exigiria cooperação iraniana para avançar.
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