A RightsCon, maior conferência global de direitos digitais, não ocorreu em 2026. Em Lusaca, Zâmbia, a organização Access Now informou o cancelamento, citando pressão do governo chinês. O evento reuniria 2.600 participantes presenciais e 1.100 online.
A organização afirma que havia um memorando com o Ministério de Tecnologia e Ciência do país. Em 27 de abril, diplomatas chineses teriam pressionado Lusaca por causa da participação de taiwaneses.
Imigração começou a avisar os participantes sobre o cancelamento, e na noite de 28 de abril a mídia estatal anunciou o adiamento. A primeira comunicação oficial do ministério chegou por WhatsApp no dia seguinte.
Contexto econômico e político
A Zâmbia mantém vínculos econômicos significativos com a China, superiormente financiados. Dias antes, foi assinado acordo de US$ 1,5 bilhão com uma estatal chinesa para ampliar capacidade energética.
O centro de conferências recebeu uma reforma em 2022, financiada com 30 milhões de dólares do governo chinês. Em 2025, a RightsCon ocorreu em Taipé, sem relatos de pressão pública parecida.
Implicações para direito digital
Caso as alegações se confirmem, a dependência de crédito chinês pode permitir interferência em eventos internacionais onde Pequim tem presença financeira expressiva. Risco de afastamento de países do Sul Global do debate sobre direitos digitais.
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